terça-feira, 27 de outubro de 2020

MORDOMIA DO CORPO, UMA SÍNTESE.

 

 


By Eudmarly Sena

INTRODUÇÃO

A Bíblia sem dúvida alguma nos adverte acerca do cuidado que devemos ter do corpo. Ele é algo dado por Deus! E essa outorga por si só já revela a responsabilidade que nos foi dada. Somos mordomos de Deus, essa mordomia não inclui apenas coisas espirituais, como já sabemos e, portanto, o corpo está nessa lista dos cuidados que devemos ter a serviço de Deus.

É sempre uma questão negligenciada essa do cuidado do corpo. Enfatizamos sempre, e muito bem, a mordomia dos dons, talentos, bens e etc., enquanto olvidamos que diante de Deus também temos o dever de cuidar de nosso corpo.

Quero trazer três pontos que principiam razões pelas quais a mordomia do corpo é uma disciplina tão importante:


  1. DEUS É O CRIADOR DO NOSSO CORPO.

Justamente em função de Deus ser o Criador de nosso corpo é que a mordomia é tão importante. Talvez não seria tanto se fôssemos resultado de um processo evolutivo ou fruto de uma eventualidade, mas definitivamente esse não é o caso. Pois disse Deus: “Façamos o ser humano à nossa imagem, ele será semelhante a nós”.1

No Salmo 139 salmista Davi demonstrou rendição absoluta à Deus quando admirado ofereceu louvores pelo grandioso feito do Senhor: a formação do corpo. No verso 14 ele reverencia: “Eu te louvarei, pois eu assombrosamente e maravilhosamente fui feito...”.2

Deus é o Criador de todas as coisas e sendo Criador é Senhor. Como Senhor merece nossa rendição e serviço. E cuidar de nosso corpo é um serviço que prestamos a Deus bem como vários outros que enfatizamos. Mas quanto a esses achamos que eles estão acima daqueles. Com isso, chegamos ao ponto de relegar o cuidado do corpo e, assim, não estimamos a grandiosa importância no cuidado do corpo, o qual é tão importante quanto outros que mais enfatizamos.

Nosso corpo foi criado por Deus e reflete a Glória de Deus!

Ainda no Salmo 139 vemos nos versos 15 e 16 quando cada ponto do corpo estava sendo formado, e isso acontecia sob os olhos atentos de Deus, cada passo levava a um registro divino, cada momento tinha a preciosa atenção divina. Que maravilha! Que privilégio!

No entanto de outra forma não poderia ter sido, pois o corpo não serviria apenas para invólucro da parte imaterial (alma e espírito), Deus tinha em mente que fossemos, o que de fato aconteceu, morada sua, santuário na qual ele viria a habitar. E esse é o nosso segundo ponto.


  1. NOSSO CORPO É MORADA DE DEUS.

O cuidado com o nosso corpo é igualmente importante por ser ele uma habitação de Deus. Não podemos ser levianos nesse cuidado, pois uma vez que somos revela que não nos importamos com a glória de Deus que deve ser refletida através do corpo.

Vamos olhar para I Coríntios 6:19,20. Em seu contexto, Paulo, antes de tudo, está se referindo à imoralidade sexual. Corinto era uma cidade hedonística3. E Paulo nessa passagem se refere ao que significa ser cristão em relação a sexualidade. O interesse de Paulo é ensinar os cristãos acerca do uso certo do corpo pelo propósito certo. Pois nosso corpo é o santo dos santos onde a Glória de Deus se manifesta e, destarte, tem importância para o Senhor. Assim, nosso relacionamento com o Senhor não é apenas espiritual, mas também físico.

Da mesma forma que o tabernáculo era um símbolo da igreja e a arca um símbolo de Cristo, assim, por onde andarmos, levaremos conosco a gloriosa presença de Cristo, pois ele habita em nós (Cl 1.27)4.

Contudo precisamos colocar de lado a ideia, tristemente ainda em voga, de que somos apenas a parte espiritual, que apenas ela importa e não um todo, espiritual e material, e de acordo com essa crença rejeitar o cuidado do corpo. É porque temos o espírito de Deus vivendo em nós, e pelo fato de Jesus ter morrido por nós, que precisamos honrar a Deus com nosso corpo. Nosso corpo, não apenas nossas almas ou espírito, foram comprados por um bom preço, isso definitivamente se refere à morte de Jesus na cruz.5 E em consequência nosso corpo e espírito estão intrinsecamente ligados.

Fomos criados para honrar a Deus; fomos comprados por um bom preço. Essa é a maravilhosa verdade. E diante dela, Paulo adverte: Portanto, honrem a Deus com o seu corpo.6 Charllies escreve: “Seu corpo não é seu. Seu corpo é de Deus, para ser tratado como ele exige, para estar comprometido com o serviço dele.”7


  1. NOSSO CORPO É REDIMIDO POR DEUS

Certamente nossa parte material importa da mesma forma que a espiritual. Ao falar da obra da redenção jamais podemos excluir suas implicações quanto ao nosso corpo.

O próprio apóstolo Paulo, em I Co. 15. 51-54, diz que nossos corpos ressuscitarão, desta forma os efeitos do pecado serão removidos, e eles serão semelhantes ao corpo do Cristo ressurreto.8 Nosso corpo será glorificado para desfrutar das promessas em Cristo.

Percebam, Jesus morreu corporalmente e corporalmente ressurgiu dos mortos. E isso claramente revela que há algo de importante sobre nossos corpos. É como N. T. Wright escreve: “O ponto da ressurreição é que a vida corporal atual não é inútil apenas porque ela morrerá. O que você faz com seu corpo no presente é importante porque Deus tem um bom futuro reservado para ele.”9

Não obstante esse fato bíblico revelador, muitos nas igrejas evangélicas compram e vendem a ideia da Filosofia Gnóstica de que o espírito é bom, porém o físico é mal. Mas a ressurreição de Jesus nega absolutamente essa possibilidade. Portanto o corpo de Cristo e corpo dos crentes são eternos.10 Assim, a natureza eterna do corpo do crente deve afetar seu comportamento atual.11

Aguardamos o dia em que todas as promessas divinas se cumprirão, e os efeitos do pecado serão definitivamente removidos, e nossos corpos glorificados serão semelhantes ao corpo do Cristo ressurreto. (Fl. 3.20.21)


CONCLUSÃO

Portanto, honrar a Deus com o nosso corpo é uma questão de mordomia, honrá-lo com o que ele nos deu, este é o caso do nosso corpo. Vamos lembrar que mordomia é conhecida pelo ato de condução, supervisão e gerenciamento de algo, especialmente o cuidado responsável de algo que foi dado a nós. Cuidemos do nosso corpo que foi dado a nós pelo Senhor Deus.


1 Gn 1.26. Bíblia Nova Versão Transformadora (NVT).

2 Aqui optei pela Bíblia Sagrada BKJ 1611, por achar uma tradução poderosa do texto.

3 Praticante do hedonismo, esse determina que o bem supremo, o fim último da ação, é o prazer. Tem no filósofo Epicuro seu principal representante.

6 I Co.6.20 (NVT)

8 Fl. 3.20,21

10 I Co. 15.42-49 Nosso corpo não terá fim.

11 Study Bible English Standard Version (ESV)

sábado, 29 de agosto de 2020


O QUE REAPRENDEMOS COM CHADWICK BOSEMAN   
                                                                                                                           Por Eudmarly Sena
   Ontem fomos surpreendidos pela triste noticia da morte do talentoso ator Chadwick Boseman. Após lutar desde 2016 contra um câncer de cólon, infelizmente não resistiu.
Apesar de já ter estrelado em outros filmes foi no espetacular “Pantera Negra” que chegou ao ápice. Foi o filme de super-herói mais lucrativo do EUA, além de ter sido o primeiro herói negro daMarvel.
   Mesmo lutando contra o câncer desde 2106, ele procurou, e conseguiu, viver bravamente. Nesse período fez alguns filmes, entre eles “Pantera Negra” e “Vingadores: guerra infinita”, mas sem levar ao público a informação, ficando entre cirurgias e quimioterapias nesse período e, assim, fazendo jus o que foi dito em uma entrevista: "Minha vida não é da conta de ninguém, de verdade. Quando falo sobre coisas pessoais, torno-me uma espécie de celebridade. E minha vida pessoal acaba interferindo na parte profissional. Eu sou um ator, e as pessoas me conhecem pelos personagens que eu interpreto. Elas têm uma impressão sobre quem eu sou, mas não sabem realmente tudo".
   E é assim que reaprendo a primeira lição, pois mesmo travando uma batalha preferiu não alardear. Em vez de sentimentalismo de uns e lamento de outros que poderiam não ajudar, optou pela coragem e determinação de lutar e seguir o propósito pelo qual se dispôs a cumprir. E esse propósito pela qual dispunha a cumprir, entendemos, o fez com louvor. Deixando um grande legado nos cinemas, nos deixa um grande exemplo a seguir: a de lutar sem desistir mesmo ante uma batalha que parece, às vezes, maior que você. Não se deixar abater, mas seguir em frente até o fim mesmo quando as circunstâncias tentam roubar a esperança que nos faz ainda querer lutar de pé. O Pantera escolheu lutar e cumprir o propósito até o fim.
   A segunda lição que relembro é a de que nunca conhecemos a real luta de uma pessoa. Por trás de cada pessoa há sempre uma história, e muitas vezes é uma história de luta. Portanto devemos ser sempre gentis e afetuosos o quanto possível. Não sabemos o que muitas vezes esconde um sorriso, não imaginamos suas lutas, dores e anseios não nos são revelados.
   Assim precisamos em todo momento praticar a gentileza e amabilidade. Não sabemos o que pode estar matando uma pessoa. Por isso, sejamos gentis, ofereçamos graça e bondade, amáveis sempre.
   Em um discurso de formatura CHADWICK diz que “a dor da derrota serve para descobrir a verdadeira paixão e propósito que Deus colocou dentro de cada um”, e após citar o livro bíblico de Jeremias capitulo 29 verso 11, ele fala sobre ter um propósito, o qual é maior que um emprego, uma carreira e etc., “ele é um elemento essencial para cada um”. Fica claro que ele acreditava em algo muito maior, o que o fez capaz de ser resiliente, e acreditava que “sua própria existência está envolvida nas coisas que você está aqui para cumprir”, pois “quando Deus tem algo para você, não importa quem se opõe”. Eis a terceira lição a relembrar: O sofrimento não é algo que deve nos tirar do propósito, mas nos deixar mais forte em Deus para conseguirmos cumprir nosso propósito, pois da fraqueza podemos extrair força. Que possamos viver com tal convicção!
   Descanse em paz Chadwick Boseman. E lembramos o T’Challa quando disse: “Na minha cultura a morte não é o fim. É mais um ponto de partida".
   Ainda fica um conselho do T’chala para o mundo hoje: em tempos de crise, sábios constroem pontes e tolos constroem muros.
#WakandaForever

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Tenha bom ânimo! Essa Depressão Vai Passar.


By Eudmarly Sena


Nos dias de hoje a depressão não só acomete, mas também é autocometida. Acomete desde o mais forte até o mais fraco; desde o tolo até o mais inteligente, de fato não escolhe rosto, golpeia a qualquer um.
Não possuo fórmulas prontas e nem tenho essa pretensão aqui de fornecer. Porém quero compartilhar com você alguns pensamentos. Talvez você esteja em um momento conturbado da vida, ou talvez não, mas ainda assim te convido a refletir, pois tanto estamos sujeitos quanto podemos também estender a mão aos outros que se encontram em profunda tristeza e, portanto, precisam de ajuda.
Prosseguindo, a vida é uma caixinha de surpresas tanto para o mal quanto para o bem, às vezes até mais para o mal que para o bem. Somos constantemente golpeados na vida e pela vida, então não se segue que a questão seja de ser ou não golpeado, mas sim o quanto somos golpeados. E ainda mais importante e crucial para nossa sobrevivência é o que fazemos de nós quando sofremos esses golpes. Aqui vale lembrar uma frase bem conhecida de um filósofo francês chamado Jean-Paul Sartre, ele nos lembra que “não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram de você”. Você percebe que precisar reagir ante os dilemas da vida?
No labor da vida muitos pensam em desistir, principalmente quando as circunstâncias da vida não saíram exatamente como idealizadas. O amor não correspondido, a perda de um ente querido, enfermidades, desastres, separação conjugal, desastres outros e etc., todas estas embalagens trazem consigo um conteúdo chamado desânimo.
O desânimo é a tristeza na alma que alimenta a depressão, isso quando ele mesmo já não é a própria depressão. Muitos desejam tirar a própria vida, e aqueles que cometem esse ato egoísta nunca o fazem para matarem a si mesmos. Em vez disso, desejam matar aquilo que está os matando, e por tudo estar intimamente ligado acabam por tirar a própria vida. O que eu sugiro? Nunca desista! Tenha bom ânimo! Essa depressão vai passar.
Esse tipo de estado tende a levar você à solidão e tristeza, desânimo que te faz julgar não valer a pena viver. Se você está nesta situação, desejo te encorajar a observar o que está à tua disposição ao redor: família, amigos, amor, abraço, compreensão, carinho, sonhos, vida, sorrisos, alegrias e muita mais. Isso é o que você deve focar e é pelo que vale a pena se viver, e que de tudo isso a depressão, desânimo e tristeza tende a te impedir de observar e, ainda melhor, desfrutar.
Se você parar para observar em sua volta há muito carinho, amor, atenção e sonhos que pessoas próximas desejam compartilhar com você o quanto puderem. Você não está sozinho, seu mundo não é um céu cuja única estrela é você. Na verdade, seu mundo possui um céu onde há uma constelação brilhando e desejando brilhar com você e até por você. Procure sentir isso, verá que é real.
Você é uma pessoa amada, e muitos em sua volta, pode ter certeza, dariam a vida para te ver feliz. Tenho a certeza que você não gostaria de perder o amor dos pais, dos irmãos, do cônjuge ou dos amigos, e eles pensam o mesmo em relação a você, estou mencionando o amor destes porque eles nos tornam mais fortes e capazes de viver, e “o modo para se amar qualquer coisa é perceber que ela pode ser perdida”, como bem disse G. K. Chesterton. Assim, perder o prazer de viver ou querer tirar a vida não pode ser uma opção de quem deseja não perder o amor dos que estão em sua volta. Precisamos de esperança verdadeira, e se você acha que de tudo está desesperado(a), sem esperança, então preciso citar mais uma vez Chesterton, pois é “somente quando de tudo desesperamos é que a esperança começa a ser verdadeira”.
A vida bate com intensidade, é como os lutadores de MMA cuja intenção de golpear não é simplesmente acertar, mas acertar a tal ponto que o oponente vá ao nocaute. Na vida recebemos muitos golpes, vários deles nos levam ao nocaute, mas não podemos nos deixar abater e nos entregarmos, precisamos lutar. Lute e viva intensamente, não se entregue aos pensamentos negativos, aos sentimentos isolados, à tristeza e angústia. VOCÊ É AMADO(A)!
Por fim, existe alguém que te ama com amor infinito. Esse alguém é Deus que te deu vida e com ela um propósito, e este deve ser vivido até o fim. O Filho de Deus, Jesus Cristo, certa feita falou que “no mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.” Alimentar a fé é importante, nossas emoções são frágeis e somos dependentes de Deus. Ele é o nosso refúgio e fortaleza um socorro bem presente na hora da angústia conforme registra o Salmos 46. DEUS TE AMA!
Busque primeiramente a Deus, em segundo busque ajuda de pessoas próximas. Você terá sempre o amor de Deus e carinho dos seus amigos bem como dos familiares; não se atenha a questão de quantidade em relação, pois muitas vezes as melhores ajudas estão em pequenas quantidades, não olhe para muitos que não ajudam e não percebem a sua dor, olhe para os poucos dispostos a te ajudar e a andar de mãos dadas lutando a sua luta, chorando as suas lágrimas. Quando estamos feridos, companhias que nos  acrescentam na vida são como bálsamo.
Abrace alguém neste momento, compartilhe sua dor, divida suas lágrimas, se lance aos braços de Deus. Lembre-se: há pessoas dispostas a te ajudar, sempre e em algum lugar, nunca está sozinho(a). TENHA BOM ÂNIMO! ESSA DEPRESSÃO VAI PASSAR.
 DEUS TE AMA! TUA FAMILIA TE AMA! VOCÊ TEM AMIGOS QUE TE AMAM.

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Contra os Pregadores Retóricos


Por Eudmarly Sena

Na pregação fazemos eco à Palavra de Deus, somos meros imitadores do que já foi dito. Destarte, o ponto da pregação será repetirmos a verdade de Deus já expressa. A preocupação que o pregador precisa ter é justamente esta, a de ecoar a Palavra de Deus, sendo apenas o repetidor, desta feita fica claro o seu papel de coadjuvante e não o principal.

A palavra de Deus é verdadeira, e tudo o que o pregador faz é ecoar a verdade dela na medida que a expõe, essa Palavra que é o caminho para a vida eterna (Jo. 5.39). Uma vez que o pregador é um eco, ou seja, tudo o que ele faz é reiterar o que Deus já disse outrora, ele está se comprometendo e comprometido com a verdade inalienável de Deus e com os valores e princípios de sua santa Palavra. Assim o pregador se configura um portador da verdade divina revelada nas Escrituras.    

O “pregador eco” é um pregador que tem consciência do papel de coadjuvante, ele reconhece que não tem voz, é um repetidor. Quando dizemos que alguém precisa “ter voz”, estamos sugerindo que ele se faça aparecer, que se imponha perante a situação ou diante de outrem, ou seja, ele precisa ter papel principal. O pregador bíblico sabe e reconhece seu papel de coadjuvante, tudo o que faz é para glória de Deus (ICo. 10.31), seu papel não é o principal, é, sim, o de coadjuvante.

Na contramão do “pregador bíblico” está o “pregador retórico”, aqui preciso deixar claro quanto ao último. Como “pregador retórico” me refiro àquele que simplesmente tem a retórica como artifício para não fazer eco a Palavra de Deus.

Já ouvir certo pregador (pregador?) falar que nunca se interessou  em fazer curso de teologia, mas que tinha um enorme interesse por curso de retórica, essa era a paixão dele, disse. Como ele há tantos outros que em detrimento do conhecimento bíblico fazem da retórica um fim em si mesma, o que acaba falseando a Palavra de Deus com suas elucubrações tolas, mas que embriagam os ouvintes que, assim como o pregador, não são zelosos da Palavra de Deus, contrapondo seu  próprio Deus que é zeloso. (Ex. 20.5)

Em primeiro lugar a retórica não tem a tarefa de ensinar e instruir acerca da verdade e princípios, disso estavam persuadidos tanto Platão quanto Aristóteles, para eles isso era tarefa própria da filosofia, por um lado, e das ciências particulares, por outro. Em segundo, o alvo da retórica é “persuadir”, mais especificamente descobrir quais são os modos e os meios para persuadir. Ela procura lançar meios com intenção de convencer os homens partindo de opiniões prováveis.

Não é possível que um pregador que lance mão de meios escusos possa ser considerado bíblico, uma vez que não tem preocupação com a verdade, mas tende a impressionar o público que lhe ouve. O pregador retórico tira da Palavra de Deus conclusões rápidas, apressadas e precipitadas, blasfemas e etc., omitindo ou ignorando a mediação lógica pelos motivos apresentados, resumindo fica “sem pé nem cabeça”. Talvez por isso os tais tenham predileção pela pregação temática. Observo que nem toda pregação temática, ela necessariamente seja usada por um pregador retórico, por outro lado, é verdade que todo pregador retórico utiliza a pregação temática necessariamente.

O pregador sendo um eco, o qual é bíblico, tem a preocupação de como ensinar e instruir acerca da verdade e dos valores bíblicos, ponto que o pregador retórico não possui, pois, sua única preocupação é persuadir, e para isso utiliza meios escusos para, por fim, ludibriar.

O pregador retórico requer atenção para si, ele não é um eco e nem deseja ser, ele é a voz original que elucubra seduzindo a massa que por sua vez não está preocupada com a verdade, mas se atém ao jogo de palavras utilizada pelo tal “pregador”. E, reconheçamos, de forma brilhante eles têm constante sucesso, sempre que nos deixamos seduzir pelo estilo, apresentação e fala em vez da mensagem em si mesma.

A verdade é que precisa sobressair na pregação, ela é de Deus, vem de Deus, o pregador deve ser eco, reproduzir a mensagem divina com temor e tremor, é Deus quem deve aparecer. Ao expormos a Bíblia preocupados com a verdade nela revelada, Deus é quem fala, e é a fala que necessitamos ouvir, é a voz de trovão e como de muitas águas que deve “assolar” em nossos púlpitos até os ouvidos e corações dos cristãos.

O pregador retórico não quer ser eco, ele quer se fazer ouvir, ele quer aparecer, ele quer ser “a voz”. O pregador bíblico procura ser eco, ele não inventa tesouros na Palavra de Deus, ele as descobre e replica ao povo necessitado de ouvir a voz de Mestre, pois Deus falou ontem, fala hoje e continuará falando, pois ainda temos muito pregadores bíblicos que são ecos de Deus a uma geração pecadora que precisa de arrependimento. Quantos aos “pregadores retóricos” a igreja precisa cada vez menos deles.  
Na pregação seja um eco e não uma voz!


sábado, 4 de maio de 2019

O Pecado de Julgar os Outros.





Breve reflexão sobre Tiago 4.11-12

                                                           By  Eudmarly Sena
Introdução

Há aqui um alerta acerca do abuso da língua. Nesse caso o murmurador até se sobrepõe à lei, passa de observador para juiz. Tiago faz um alerta aos próprios irmãos que se deixam levar por este mal, ele fala em tom de perplexidade “irmãos”. Parece que estes, os irmãos a quem a carta é endereçada, abusavam demais do mau uso da língua, pois o assunto na carta é recorrente. Porém o autor também fala em tom imperativo “não faleis mal uns dos outros”, pois quem assim procede faz-se o padrão maior para julgar, um legislador. No entanto, Tiago lembra que “há só um legislador” v.2, e que nós, meros mortais, nada somos, isso é o que sugere ao indagar “quem és, que julgas o próximo?”. Estamos diante de um grande pecado quando falamos dos outros em tom de condenação.

v.11
Tiago emprega uma palavra katalaleite, (significa falar contra, difamar) para expressar a ideia de murmurar a respeito dos outros. “É aplicado usualmente a palavras ásperas acerca de uma pessoa ausente”.1 “Geralmente este verbo significa falar mal de alguém que está ausente, criticá-lo, insultá-lo, caluniá-lo sem que esteja presente para defender-se”.2 É um pecado condenado em toda a Bíblia: Sl 50.20; 101,5. Barclay lembra que “nas cartas paulinas katalalia, o substantivo, é, traduzido como maledicência, murmuração”. Paulo temia encontrar esse mal na igreja de Corinto (II Co12.20), e lista entre eles os pecados de um mundo sem Deus (Rm. 1.30). É o pecado daqueles que se reúnem em pequenos grupos e circulam informações fragmentadas, recebidas de outros, que destroem a reputação e o bom nome dos outros, e ainda com um agravante; a de que a pessoa não está presente para se defender.

v.12
Aqui nos é lembrado que apenas um, o qual é Deus, é Legislador e tem poder de julgar e condenar verdadeira e retamente, tanto salva quanto destrói, e que nós, seres humanos falíveis, devemos nos colocar no lugar que nos compete e manter distância do lugar que não nos cabe. Quem se ver no direito de sentenciar está usurpando algo que só pertence a Deus, o poder de salvar e destruir. Esta prerrogativa, própria de Deus, está declarada em toda a Escritura: “Eu mato e eu faço viver”
(Deuteronômio 32:39). “O SENHOR é o que tira a vida e a dá”, confessa Ana em sua oração (I Samuel 2:6). “Acaso, sou Deus com poder de tirar a vida ou dá-la?”, pergunta surpreso um rei israelita a quem Naamã foi em busca de cura para sua lepra (II Reis 5:7).
“É provável que digamos que falar mal de nosso próximo não é um pecado muito sério. Mas a Escritura diria que é um dos piores pecados, porque ao cometê-lo quebrantamos a lei real usurpando direitos que unicamente pertencem a Deus.”3

Síntese
Observamos que esse tipo de julgamento entre os irmãos é condenável por várias razões, mas poderíamos, de acordo com o que Tiago expressa, ter duas razões principais:
(1) É uma infração a lei real.
(2) É uma violação da prerrogativa de Deus.

Conclusão
Julgar a outro é usurpar um direito que pertence exclusivamente a Deus; e todo homem que, de forma deliberada e proposital, infrinja as prerrogativas de Deus é um tolo insolente.

"A crítica perde o efeito negativo quando primeiro
uso a língua em benefício da edificação do próximo." (Helgir Girodo)


1 Fritz Rienecker & Cleon Rogers, “Chave Linguística do Novo Testamento”, p. 547.
2 Willian Barclay, “O Novo Testamento Comentado”, Tiago, p. 128.
3  Idem. p. 130.

terça-feira, 22 de maio de 2018

O Marxismo Cultural simplesmente explicado.



Eu estou usando cada vez mais a expressão “marxismo cultural”, e me ocorreu que não devo simplesmente presumir que leitores e ouvintes saibam o que significa. Tentarei explicar o básico de forma simples e breve. Se você tem dúvidas, por favor, poste-as na sessão de comentários ou no facebook.
Karl Marx, Leon Trotsky e V. I. Lenin viam que a base de toda existência humana como econômica. Esta foi a filosofia social e política da antiga União Soviética. É chamada de marxismo clássico ou econômico. Esta forma de Marxismo não é tão popular hoje em dia (exceto na Corea do Norte). Por contraste, você pode ter ouvido de marxistas como Gramsci, Lukás, Sartre e Marcuse. Eles estão entre os primeiros marxistas culturais. A visão deles de marxismo foi projetada para apelar e ter sucesso nas sociedades do Ocidente. Eles sabiam que o marxismo econômico provavelmente não venceria no Ocidente (é por isso que sua revisão é às vezes chamada de marxismo ocidental). Por um lado, eles duvidam que a classe trabalhadora se levantaria em uma revolução violenta como fizeram na Rússia em 1917; a maioria dos trabalhadores estavam satisfeitos com a vida na maioria das vezes, para vencer no ocidente, você precisaria de um marxismo adequado para o ocidente, um que levasse em conta o modo de pensar do Ocidente. Liberdade, fraternidade e igualdade, palavras de ordem do Ocidente, ideias que eles poderiam exigir para vencer o dia. Eles se engajariam na “longa marcha através das instituições”, palavras erroneamente atribuídas a Gramsci, porém certamente a estratégia do marxismo cultural. Eles reinventariam o significado de fraternidade, liberdade e igualdade para seduzir os ocidentais, e gradativamente capturar a cultura deles.

Libertação Humana

Diferente dos marxistas originais, eles sustentavam que o principal problema da humanidade não é econômico. É que as ideias e instituições da sociedade nos impedem de cumprir a boa vida. O que é boa vida? É ser capaz de ser exatamente o que queremos ser, viver exatamente como queremos viver – com máximo de autonomia. Cada indivíduo deve ser um artista, mas em um sentido básico e profundo. Cada pessoa deve ser capaz de pintar sua própria vida, seu próprio significado, sua própria liberdade. O mundo deveria ser a tela sobre a qual a pessoa desenha a si mesmo.


Infelizmente nossa sociedade conspira para limitar nossa autonomia. Instituições tradicionais como a família, igreja e empresas comandam nossa fidelidade. Esposos lideram famílias, pais dirigem filhos, clérigos discipulam leigos, empregados cumprem as exigências de seus empregadores. Isto significa que eles reduzem sua autonomia. Portanto, vivemos vidas artificiais, irreais e infelizes para nos conformamos a essas instituições e expectativas culturais. Somos alienados de nossos “verdadeiros eus”. Os marxistas sempre estiveram preocupados em libertar o verdadeiro eu real do ambiente cultural que o reprime. Esse poderia ser ateu, exibicionista, homossexual, transgénero, bestial ou solitário; porém de qualquer forma, esse eu encontro resistência na cultura tradicional. Para ser verdadeiramente livre, a cultura tradicional deve ser marginalizada ou esmagada.

Uma metáfora estendida pode ajudar. Imagine milhares de sementes minúsculas, cheias de potencial florescente e frutífero, porém nunca realizarão esse potencial, pois estão em solo duro, gelado e quase impenetrável. Imagine mais um simpático fazendeiro que vem com um arado maciço e fende o solo, as águas e os fertilizantes para que as sementes possam finalmente brotar para cima.
As sementes nesta metáfora são os humanos quando entram no mundo, mas estamos sufocados pelo solo duro e congelado, que não nos permite liberar o potencial de nosso verdadeiro eu. Este solo é a nossa sociedade, especialmente as nossas principais instituições culturais, como a família, igreja e as empresas. Devemos ser livres para brotar, crescer e exibir ao mundo toda a nossa beleza autônoma. O que precisamos é de um arado para quebrar esse solo duro e tirá-lo do caminho.
Em nossa metáfora, esse arado é o estado. É por isso que os marxistas culturais são estatistas. Não é simplesmente porque amam o poder. Eles querem poder estatal para que possam destruir a autoridade tradicional, especialmente o Cristianismo, que justifica e produz essa autoridade. Para os marxistas culturais, o que tem sido chamado de liberdade no Ocidente, definido como ausência de coerção política, tornar-se a verdadeira libertação, a imposição de coerção política para garantir a autonomia humana. Libertação se torna liberdade das instituições que nossa sociedade outorga a liberdade de nos escravizar. O estado deve pulverizar todas as barreiras ao nosso verdadeiro eu.

Consciência de Classe

Como os marxistas instigam esta libertação? Como eles envolveram o estado em sua cruzada de libertação? Principalmente ao dividir pessoas em diferentes classes e fomentar conflito, alegando que todas as classes devem lutar pela igualdade. Isto se chama consciência de classe. Nos dias de Marx, os opressores era a burguesia (elites, proprietários de empresas), e os oprimidos era o proletariado (empregados, “escravos assalariados), que exigiam igualdade. Por igualdade, o marxista cultural não quer dizer igualdade de condição – isto é, eles não querem dizer que todos devem jogar pelas mesmas regras. Em vez disso, acreditam em igualdade de resultados – as regras devem ser inclinadas para que todos façam as mesmas coisas. Hoje a consciência de classe é conhecida como “política de identidade), e as classes que lutam são expandidas – homens versus mulheres, brancos e asiáticos versus negros e/ou hispânicos, filhos versus pais, geração do milênio versus meia idade, ricos versus pobres e “classe média”, cosmopolitas versus nacionalistas e outras categorias binárias. Os marxistas culturais retratam o polo do binário (mulheres, homossexuais, mileniais, negros) como oprimidos, e exigem que o estado os liberte de seus opressores. Opressão aqui quase nunca significa escravidão, abuso ou agressão. Em vez disso, significa desrespeito, desaprovação ou desigualdade social. Se, por exemplo, homossexuais não são tão respeitados quanto os heterossexuais, eles são oprimidos e merecem a libertação coagida do estado. Isto é de onde vêm os novos códigos de fala do campus. Os mais novos oprimidos definidos (mileniais) não são intitulados para serem ofendidos por palavras da classe opressora (brancos mais velhos, professores, homens).

A libertação se torna a liberdade das instituições a quem nossa sociedade outorga a liberdade para nos escravizar


Com o tempo esta libertação humana vê a própria natureza como um opressor. Como os gnósticos de antes, a criação é má, e é uma barreira para a boa vida. Partes do corpo masculino ou feminino são opressoras. A “cirurgia de resignação sexual” deve se tornar “cirurgia de afirmação de gênero”. Um homem se torna uma mulher que em seguida se torna um dragão. Este é o extremo caso, mas não inconsistente. É simplesmente o último caso de libertação e, a menos que esta grande marcha social seja interrompida, não devemos esperar que a dragonização do homem seja o exemplo mais extremo de libertação no futuro.


Progresso pelo conflito

É neste conflito de classe que se produz progresso cultural. Os marxistas sempre acreditaram que a vida está por toda parte cheia de forças opostas, e a colisão destas forças traz uma realidade maior e melhor. Os liberais de hoje gostam de ser conhecidos como “progressivos”, e o progresso que eles querem é a libertação humana (=autonomia). Esse progresso vem apenas pelo conflito. Assim o conflito é uma boa coisa, e as elites deveriame estar promovendo conflitos em todos os lugares. Se você quer uma sociedade melhor, você precisa espalhar o conflito para conseguir – conflito incessante, violento se necessário. O obejtivo dos lançamentos de comicios e campanhas no Twiter para desafiar a “hegemonia” (palavra favorita de Grasmci) dos homens, pais, brancoss, heterossexuais, asiáticos e Wall Street, é criar um conflito que termine na libertação das classes oprimidas e um mundo melhor, todos (exceto os opressores mencionados, que serão despojados e desprivilegiados) defrutarão a boa vida.
E todos levados, claro, pelo marxismo cultural, magicalmente no topo do monte igualitário.

Fonte: https://docsandlin.com/2018/04/23/cultural-marxism-simply-explained/
Tradução: Eudmarly Sena