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sábado, 29 de agosto de 2020


O QUE REAPRENDEMOS COM CHADWICK BOSEMAN   
                                                                                                                           Por Eudmarly Sena
   Ontem fomos surpreendidos pela triste noticia da morte do talentoso ator Chadwick Boseman. Após lutar desde 2016 contra um câncer de cólon, infelizmente não resistiu.
Apesar de já ter estrelado em outros filmes foi no espetacular “Pantera Negra” que chegou ao ápice. Foi o filme de super-herói mais lucrativo do EUA, além de ter sido o primeiro herói negro daMarvel.
   Mesmo lutando contra o câncer desde 2106, ele procurou, e conseguiu, viver bravamente. Nesse período fez alguns filmes, entre eles “Pantera Negra” e “Vingadores: guerra infinita”, mas sem levar ao público a informação, ficando entre cirurgias e quimioterapias nesse período e, assim, fazendo jus o que foi dito em uma entrevista: "Minha vida não é da conta de ninguém, de verdade. Quando falo sobre coisas pessoais, torno-me uma espécie de celebridade. E minha vida pessoal acaba interferindo na parte profissional. Eu sou um ator, e as pessoas me conhecem pelos personagens que eu interpreto. Elas têm uma impressão sobre quem eu sou, mas não sabem realmente tudo".
   E é assim que reaprendo a primeira lição, pois mesmo travando uma batalha preferiu não alardear. Em vez de sentimentalismo de uns e lamento de outros que poderiam não ajudar, optou pela coragem e determinação de lutar e seguir o propósito pelo qual se dispôs a cumprir. E esse propósito pela qual dispunha a cumprir, entendemos, o fez com louvor. Deixando um grande legado nos cinemas, nos deixa um grande exemplo a seguir: a de lutar sem desistir mesmo ante uma batalha que parece, às vezes, maior que você. Não se deixar abater, mas seguir em frente até o fim mesmo quando as circunstâncias tentam roubar a esperança que nos faz ainda querer lutar de pé. O Pantera escolheu lutar e cumprir o propósito até o fim.
   A segunda lição que relembro é a de que nunca conhecemos a real luta de uma pessoa. Por trás de cada pessoa há sempre uma história, e muitas vezes é uma história de luta. Portanto devemos ser sempre gentis e afetuosos o quanto possível. Não sabemos o que muitas vezes esconde um sorriso, não imaginamos suas lutas, dores e anseios não nos são revelados.
   Assim precisamos em todo momento praticar a gentileza e amabilidade. Não sabemos o que pode estar matando uma pessoa. Por isso, sejamos gentis, ofereçamos graça e bondade, amáveis sempre.
   Em um discurso de formatura CHADWICK diz que “a dor da derrota serve para descobrir a verdadeira paixão e propósito que Deus colocou dentro de cada um”, e após citar o livro bíblico de Jeremias capitulo 29 verso 11, ele fala sobre ter um propósito, o qual é maior que um emprego, uma carreira e etc., “ele é um elemento essencial para cada um”. Fica claro que ele acreditava em algo muito maior, o que o fez capaz de ser resiliente, e acreditava que “sua própria existência está envolvida nas coisas que você está aqui para cumprir”, pois “quando Deus tem algo para você, não importa quem se opõe”. Eis a terceira lição a relembrar: O sofrimento não é algo que deve nos tirar do propósito, mas nos deixar mais forte em Deus para conseguirmos cumprir nosso propósito, pois da fraqueza podemos extrair força. Que possamos viver com tal convicção!
   Descanse em paz Chadwick Boseman. E lembramos o T’Challa quando disse: “Na minha cultura a morte não é o fim. É mais um ponto de partida".
   Ainda fica um conselho do T’chala para o mundo hoje: em tempos de crise, sábios constroem pontes e tolos constroem muros.
#WakandaForever

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O Lado Inútil da Teologia




   Bem, o tema parece que meio intrigante, pois podemos inquirir; existe um lado inútil da teologia? Penso que sim, mas vale lembrar que esse lado não é próprio dela, são os próprio estudantes de teologia que fazem esse lado emergir. Quando um cristão se debruça a estudar teologia, o que é ótima coisa, deve ele considerar que não estuda, apenas, para encher a mente de conhecimento, mas também, encher o coração de Deus. 

   O problema não é o estudar teologia, mas sim o praticar a teologia estudada (ortodoxa, é claro), pois, por vezes, os homens não sabem lidar com o conhecimento que adquirem, o problema, portanto, não está no conhecimento, mas na má utilização deste. Na verdade, o conhecimento teológico, sem vida prática cristã, revela o lado inútil da teologia. Por teólogo entendemos serem todos os cristãos, partindo do pressuposto  de que todos aqueles que versam sobre Deus e refletem sobre suas obras são teólogos, isso pelo menos de uma forma ampla do termo. 

   A questão que se levanta é, como diz Sproul,  "sabermos se somos bons ou maus teólogos", pois mau teólogo traz á tona o lado inútil da teologia, onde não há prática de vida cristã, e tudo o que ele ensina (o professor) ou assimila mentalmente (o aluno) é divorciado de sua vida cristã. Todo cristão é teólogo, mas nem todo teólogo é cristão.

   Esse lado inútil da teologia tem sido crescente, pois os estudantes (alguns, e certamente  a maioria) tem se devotado ao estudo, simplesmente, por motivos escusos, interesses secundários, o fato de algumas vezes forçarem as pessoas a estudarem teologia - pois caso contrário não terá chance no ministério - fazem as salas se encherem de teólogos com corações vazios,  a teologia é importante para quem quer desempenhar um bom serviço para Deus, em qualquer função, porém, ela não deve ser feita como um fim em sim mesma, e sim um meio de servir melhor a Deus e a igreja.

   O lado inútil da teologia deve ser freado, pois embarga muitos de se familiarizarem mais com ela, ao verem "teólogos" sem vida prática cristã, logo julgam ser, a teologia, um mau para o crescimento da igreja, quando na verdade é o contrário, e quando isso acontece a culpa recai, na maioria dos casos, sobre os ditos estudantes de teologia. A teologia, como dizia Lutero, "é a gramática do Espirito Santo" e devemos muito valorizar e incentivar a igreja a cada vez mais crescer no conhecimento teológico, mas na mesma medida incentivar a viver a teologia que assimilam, caso contrário, será inútil. 

    As Escrituras devem ser conhecidas (teologia) porém, também, vividas, é a pratica cristã que nos leva a experimentar o poder de Deus em nossas vidas.
   Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus. (Mt 22.29)

Paz em Cristo.

Por Eudmarly Sena




terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Franklin Ferreira – O Cristão e a Cultura


ferreira-cultura

Uma definição de cultura

Antes de falarmos da relação do cristão com a cultura, é necessário definirmos o que é cultura:
  • Em sentido amplo, refere-se ao cultivo de hábitos, interesses, língua e vida artística de uma nação: histórias, símbolos, estruturas de poder, estruturas organizacionais, sistemas de controle, rituais e rotinas.
  • Tudo o que caracteriza uma realidade social de um povo ou nação, ou então de grupos no interior de uma sociedade: valores, atitudes, crenças e costumes.
Não raro o cristão se torna uma subcultura dentro de uma nação. Ele tem seus valores, atitudes, crenças e costumes. Mas daí, surgem as perguntas: O cristão pode participar das festas nacionais? O cristão pode beber? Como o cristão lida com arte, cinema, etc.? O cristão pode ser um diretor, ator, etc.? O cristão pode ouvir música do mundo? Como o cristão lida com economia, política, filosofia? O cristão deve impor sua cultura quando sai em missões? O que pode ser tolerado? O que deve mudra?

Modelos de como os cristãos lidaram com a cultura ao longo da história

Para falar sobre o cristão e a cultura, precisamos lembrar que a igreja não nasceu em nossa geração. Temos que ser humildes e olharmos para a história da igreja para ver como os cristãos do passado lidaram com a cultura.
H. Richard Niebuhr (1894-1962), apresentou em seu livro Cristo e cultura (download gratuito) cinco categorias de classificação do relacionamento entre o cristão e a cultura, fornecendo, assim, ferramentas para descrever a forma que os cristãos encaram questões sociais, éticas, políticas e econômicas.

1. O cristão contra a cultura

Os que seguem esta corrente enfatizam que, diante da natureza decaída da criação, é necessário que se criem estruturas alternativas, e que estas sigam mais de perto o chamado radical do evangelho. Esta posição foi afirmada no Didaquê, na Primeira Epístola de Clemente, e nos escritos de Tertuliano (c.160–c.225) e dos anabatistas do século xvi, como Michael Sattler (c.1490–1527).
Resumidamente, a cultura é caída, má e demoníaca; rejeite tudo. Exemplos:
“A filosofia é a matéria básica da sabedoria mundana, intérprete temerária da natureza e da ordem de Deus. De fato, é a filosofia que equipa as heresias… Ó miserável Aristóteles! Que lhes proporcionaste a dialética, esse artífice hábil para construir e destruir, esse versátil camaleão que se disfarça nas sentenças, se faz violento nas conjecturas, duro nos argumentos, que fomenta contendas, molesta a si mesmo, sempre recolocando problemas antes mesmo de nada resolver. Por ela, proliferam essas intermináveis fábulas e genealogias, essas questões estéreis, esses discursos que se alastram, qual caranguejos, e contra os quais o Apóstolo nos adverte na sua carta aos Colossenses: ‘Cuidado que ninguém vos venha a enredar com suas sutilezas vazias, acordadas às tradições humanas, mas contrárias à providência do Espírito Santo’. Este foi o mal de Atenas… Ora que há de comum entre Atenas e Jerusalém, entre a Academia e a Igreja, entre os hereges e os cristãos? Nossa formação nos vem do pórtico de Salomão, ali nos ensinou que o Senhor deve ser buscado na simplicidade do coração. Reflitam, pois, os que andam propalando seu cristianismo estóico ou platônico. Que novidade mais precisamos depois de Cristo? [...] Que pesquisa necessitamos mais depois do Evangelho? Possuidores da fé, nada mais esperamos de credos ulteriores. Pois a primeira coisa que cremos é que para a fé, não existe  objeto ulterior.”  (Tertuliano, De praescr. haeret., VII)
 “Quarto, unimos nossas forças no que diz respeito à separação do mal. Devemos nos afastar do mal e da perversidade que o diabo semeou no mundo, para não termos comunhão com isso e não nos perdermos na confusão dessas abominações. Aliás, todos que não aceitaram a fé e não se uniram a Deus para fazer a sua vontade são uma grande abominação aos olhos de Deus. Deles não poderão acrescentar ou surgir nada mais do que coisas abomináveis. Não existe nada mais no mundo e em toda a criação do que o bem e o mal, crentes e incrédulos, trevas e luz, os que estão no mundo e fora do mundo, os templos de Deus e dos ídolos, Cristo e Belial, e nenhum deles poderá ter comunhão um com o outro. Para nós, pois, é obvio o imperativo do Senhor, pelo qual nos ordena que nos afastemos e nos mantenhamos longe dos maus. Assim, ele será nosso Deus e nós seremos seus filhos e filhas. Além disso, ele nos exorta a abandonar a Babilônia e o paraíso terreno egípcio, para não passar pelos sofrimentos e dores que o Senhor enviará sobre eles. (…) Devemos nos afastar de tudo isso e não participar com eles. Porque tudo isso não passa de abominações, que nos tornam odiosos diante do nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos libertou da escravidão da nossa natureza pecaminosa e nos tornou aptos para o serviço de Deus, por meio do Espírito que nos ortogou.” (Confissão de Schleitheim, IV)

2. O cristão da cultura

Os ensinos do evangelho têm íntima relação com as estruturas culturais, num processo de acomodação a esta. Ou seja, toda e qualquer cultura é incorporada no cristianismo.
Apesar das objeções que são lançadas a esta posição, ela tem sido influente na história da igreja. Os ensinos de gnósticos do século III, Abelardo de Paris (1079–1142) e dos teólogos liberais do século XIX refletem esta posição.. A igreja evangélica na Alemanha, por influência deste entendimento, trocou seu nome para Igreja do Reich e seus pregadores juraram obediência a Hitler.
O fundamentalismo americano acabou espelhando esta posição, afirmando os valores básicos da cultura dos Estados Unidos. Aqui no Brasil, se por um lado rejeitamos toda cultura local (o cristão contra a cultura), por outro acabamos abraçando a cultura americana (o cristão da cultura), como se ela fosse uma cultura cristã e achamos que uma cultura é intrinsicamente superior a outra.

3. O cristão acima da cultura

Este é o conceito católico, influenciado por Clemente de Alexandria (c.150–c.215) e Tomás de Aquino (1225–1274), que busca uma unidade entre o cristão e a cultura, onde toda a sociedade aparece hierarquizada. Na Idade Média o ensino eclesiástico alcançou quase todos os aspectos da sociedade: suas práticas religiosas formaram o calendário; seus rituais marcaram momentos importantes (batismo, confirmação, casamento, ordenação) e seus ensinamentos sustentavam crenças sobre moralidade, significado da vida e a vida após a morte. A igreja e sua mensagem são institucionalizadas e o que deveria ser condicionado culturalmente é absolutizado. Neste terceiro modelo, o que é levado não é o evangelho, mas uma cultura.

4. O cristão e a cultura em paradoxo

Posição comumente associada a Martinho Lutero (1483-1546) e Søren Kierkegaard (1813-1855). Esta posição mantém o entendimento bíblico da queda e da miséria do pecado, e o chamado para se lidar com a cultura. A relação do cristão com a cultura é marcada por uma tensão dinâmica entre a ira e a misericórdia.
Lutero enfatizou este tema com sua doutrina dos “dois reinos”: a mão esquerda, mundana, segura a espada do poder no mundo, enquanto a mão direita, celeste, segura a espada do Espírito, a Palavra de Deus. Não se pode tentar coagir a fé, nem se pode tentar acomodar a fé aos modos seculares de pensamento.
Um exemplo: espancamento feminino. A mulher deve processar o marido? Nesta visão paradoxal, como cristã, ela não deveria (pois o crente não leva outro ao tribunal secular), mas como cidadã, sim. Então, a mulher vive um conflito paradoxal.

5. O cristão como agente transformador da cultura

A cultura deve ser levada cativa ao senhorio de Cristo. Sem desconsiderar a queda e o pecado, mas enfatizando que, no princípio, a criação era boa, os que estão nesse grupo enfatizam que um dos objetivos da redenção é transformar a cultura. Sendo assim, por mais iníquas que sejam certas instituições, elas não estão fora do alcance da soberania de Deus. Ou seja, mesmo sabendo da queda, o cristão não abandona a cultura (o cristão contra a cultura), mas busca redimi-la, levá-la aos pés de Cristo.
Agostinho (354-430), João Calvino (1509-1564), John Wesley (1703-1791) e Abraham Kuyper (1837-1920) são alguns dos que entenderam que os cristãos são agentes de transformação da cultura, posição que é exposta nesta obra de Niebuhr. Em Apocalipse, vemos que Deus redime tanto a pessoa, como a diversidade cultural.
Nesta posição, não há divisão entre o sagrado e o profundo – essa é uma dicotomia católica (a divisão sagrado/profano afirma que na igreja fazemos atividades sagradas e, no mundo, atividades profanas; ou seja, rezar, ser padre é algo sagrado, mas construir um prédio e ser um engenheiro são coisas profanas). A divisão bíblica é entre o que é santo e está em pecado; e que está em pecado deve ser santificado.

Relatório de Willowbank

A afirmação de que o cristão é um agente transformador da cultura pode ser resumida na compreensão de que “uma vez que o homem é criado por Deus, parte de sua cultura será rica em beleza e bondade. Por causa da queda e do pecado do homem, toda a sua cultura [usos e costumes] está manchada pelo pecado, e parte dela é demoníaca” (Pacto de Lausanne §10) — o evangelho nunca é hóspede da cultura, mas sempre seu juiz e redentor.
O Grupo de Teologia e Educação de Lausanne propôs um modelo hierárquico de ação sobre a entrada do evangelho na cultura (Relatório de Willowbank, 1978) que pode ser de auxílio em nosso trato com a cultura ao nosso redor.
Categoria de costumes
Como um missionário deve proceder em uma cultura diferente? O Relatório de Willowbank propõe uma relação quádrupla do cristão com a cultura:
  1. Alguns costumes não podem ser tolerados, como a idolatria, infanticídio, canibalismo, vingança, mutilação física, prostituição ritual, entre outros.
  2. Alguns costumes podem ser temporariamente tolerados [por uma geração], como a escravidão, o sistema de castas, o sistema tribal, a poligamia, entre outros.
  3. Há alguns costumes cujas objeções não são relevantes para o evangelho, como o costume de o homem e a mulher sentarem separados nos cultos, os costumes alimentares, vestimentas, hábitos de higiene pessoal, entre outros.
  4. Assuntos secundários (adiáforos) sobre os quais há controvérsias mas que pode-se ter liberdade de análise, como escatologia, governo da igreja, ceia e batismo
Exemplo do ponto 2: quando chefes tribais polígamos se convertiam, eles eram obrigados pelos missionários a abandonar todas suas esposas, que ou morriam de fome ou se prostituiam, podendo morrer apedrejadas. Vendo isso, os missionários acharam uma medida sábia não exigir desse chefe tribal o abandono da poligamia, mas exigir tal atitude da próxima geração de cristãos.
Aplicação do ponto 3: Se você é um novo pastor, não tente mudar a cultura da igreja, se ela se encaixa neste nível. Pregue o evangelho!
 “Não se distinguem os cristãos dos demais, nem pela região, nem pela língua, nem pelos costumes. (…) Seguem os costumes locais relativamente ao vestuário, à alimentação e ao restante estilo de viver, apresentando um estado de vida admirável (…). Enquanto cidadãos, de tudo participam, porém tudo suportam como estrangeiros. (…) Se a vida deles decorre na terra, a cidadania, contudo está nos céus. Obedecem as leis estabelecidas, todavia superam-nas pela vida. Amam a todos, e por todos são perseguidos (…) Para simplificar, o que é a alma no corpo são no mundo os cristãos”. (5-6) (Epístola a Diogneto)

Bibliografia Complementar

ferreira-cultura-livros
No final da palestra, Franklin Ferreira apresentou uma bibliografia sobre o assunto:
Recomendo a leitura destes artigos também:
Não sei se vocês lembram, mas já falamos, de forma simplificada, sobre o assunto aqui no VE: Os 3 Rs do Envolvimento do Cristão com a Cultura. Os 3R de Mark Driscoll (Rejeitar, Receber ou Redimir) encaixam-se bem nos quatro pontos apresentados pelo Relatório de Willowbank.
Por: Franklin Ferreira. Palestrado no dia 11/02/13, na 15ª Consciência Cristã (VINACC). Copyright © Franklin Ferreira.
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor, seu ministério e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.


Fonte: voltemosaoevangelho

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Membresia e Identidade – John MacArthur



titulo

Nossa sociedade está sofrendo uma crise de identidade. Coletiva e individualmente, as pessoas hoje não possuem um forte sentido de quem são, do que querem, ou como conseguir isso. Vão à deriva pela vida, seguindo os caprichos e as modas do mundo, no lugar de aceitar a responsabilidade e buscar a maturidade.

Os cristãos não precisam lutar com esse tipo de identidade. Nós fomos redimidos e afirmados por Cristo, introduzidos em Sua família e somos transformados a Sua semelhança. Até certo ponto, deve ser difícil dizer onde Ele se termina e você começa, por assim dizer. Como Paulo diz em Gálatas 2:20: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim”.

Essa verdade gloriosa descreve o estado espiritual de cada crente. Já não estamos isolados e sozinhos: o Senhor nos comprou por preço (1 Coríntios 6:20) e nos introduziu em Sua família (Romanos 11:17). Levamos Seu nome, e nossas vidas transformadas é um testemunho de Seu amor e Seu poder. O sacrifício de Cristo em nosso favor estabelece nossa nova identidade para a eternidade, nós como Sua igreja, Seu corpo e Sua noiva.

Porem, se individualmente somos identificados com Cristo, então, por que tantos cristãos se negam a identificar-se com a igreja, um conjunto de outros igualmente identificados com o Salvador? Por que se negam à membresia da igreja e evitam a comunhão com uma congregação local? Se o Senhor nos fez uma só família na eternidade, por que tantos crentes passam muito tempo aqui na terra evitando uns aos outros?

Paulo advertiu severamente a Timóteo a não se envergonhar de dar testemunho do Senhor (2º Timóteo 1:8). Em seu caso, Timóteo tinha verdadeiros motivos para ter medo de proclamar publicamente sua fé e sua identidade com a igreja; enfrentou a constante ameaça de perseguição física, prisão e até a morte.

A maioria dos crentes de hoje nem sempre enfrentarão esse tipo de pressão. No entanto, a resistência a identificar-se com a Igreja nasce do temor do homem. Em nossa cultura perpetuamente superficial e cada vez mais ateia, não existe nada bom da igreja. Assim que, em vez de serem selados com o estigma da religião, alguns crentes tratam de viver discretamente sua fé por meio de uma filiação frouxa com uma – e às vezes mais de uma – congregação. Outros se limitam a evitar por completo a igreja, envergonhados de que alguém poderia saber que elas pertencem a tal coisa.

A ideia de ceder a esse tipo de pressão pobre seria risível se muitos cristãos não o fizessem todos os dias. Porem, em vez de orgulhosamente unir-se publicamente com outros crentes, eles buscam uma popularidade volúvel.   Talvez você esteve tentando às vezes fazer o mesmo.

O que se faz frente essa tentação revela muito sobre o verdadeiro estado de seu coração. A melhor indicação de suas prioridades é como e onde gasta seu tempo e energia, trate de um movimento político, um conselho escolar, um comitê de bairro ou um clube de fãs.

E de todas as organizações as que se poderia pertencer, a igreja é deveras a mais importante. Seu compromisso e identificação com sua congregação local diz muito sobre quem você é e o que é mais importante para você. De fato, sua participação em sua igreja é muito mais que uma vez ou duas por semana, mas é uma reunião de pessoas que já não são mais cidadãos desse mundo, uma comunidade de homens e mulheres que foram transformados em novas criaturas e unidos na fé. A igreja é uma antecipação da glória que nos espera na eternidade.

Assim que, se você diz que ama ao Senhor, mas se nega a identificar-se com Seu povo, levante perguntas compreensíveis sobre a veracidade de seu amor. Ao mesmo tempo, se sua reputação com o mundo não convertido significa o suficiente para se manter afastado da Igreja, em primeiro lugar você tem provocado sérias preocupações sobre se você se arrependeu e creu verdadeiramente.

Outra coisa a se ter em conta quase se trata da reputação: é verdade que você poderia sofrer em alguns círculos se publicamente se identifica com sua igreja local, inclusive poderia ser humilhante para você. Porem, isso não é nada comparado com as humilhações que Cristo voluntariamente e com sacrifício sofreu por nós. E se o Senhor está disposto a associar-se com pessoas débeis e pecadoras como nós, não podemos manter Ele ou Sua igreja à distância. Se Ele não se envergonha de nos chamar Seus, não podemos ter vergonha de chamá-lo nosso.

TRADUZIDO DE: http://evangelio.wordpress.com/2013/01/23/la-membresa-es-identidad/

http://www.gty.org/resources/Blog/B130123

COPYRIGHT © 2013 Grace to You

Fonte: CasteloForte

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Os últimos três desejos de Alexandre, o Grande




Conta-se que quando estava à beira da morte, Alexandre, o Grande convocou os seus generais e relatou seus 3 últimos desejos:


1- Que seu caixão fosse transportado pelas mãos dos médicos da época.


2- Que fosse espalhado no caminho até seu túmulo os seus tesouros conquistados (prata, ouro, pedras preciosas).


3- Que suas duas mãos fossem deixadas balançando no ar, fora do caixão: à vista de todos.


Um dos seus generais, admirado com esses desejos incomuns, perguntou: excelência quais as razões para tal desejo? Alexandre explicou:


1- Quero que os mais iminentes médicos carreguem meu caixão para mostrar que eles NÃO têm poder de cura perante a morte;


2- Quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros para que as pessoas possam ver que os bens materiais aqui conquistados, aqui permanecem;


3- Quero que minhas mãos balancem ao vento para que as pessoas possam ver que de mãos vazias viemos e de mãos vazias partimos.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Revista Newsweek analisa a “crise do cristianismo” no Ocidente


“Ensinamentos de Jesus foram destruídos pela 

cultura moderna”, escreve jornalista

É comum que na Páscoa e no Natal as grandes 
publicações dêem espaço para a fé cristã. Quase 
sempre as matérias questionam a veracidade dos relatos bíblicos ou apresentam alguma teoria polêmica.
Neste ano não foi diferente. A Newsweek, um dos semanários mais conceituados do mundo, deu como manchete “Esqueça a Igreja, siga Jesus”. A reportagem de capa, escrita por Andrew Sulllivan argumenta que o cristianismo que temos hoje “foi destruído pela política, pelos sacerdotes e teleevangelistas do enriquecimento rápido”.
Ao longo de suas páginas, há um questionamento de porque em vários lugares do mundo parece haver uma nova “onda de moralidade”, onde os políticos usam como plataforma política os ensinamentos de Cristo.
Isso é visto de maneira especial em 2012 na corrida presidencial americana, onde um mórmon e um católico se apresentam para ser o candidato que irá derrotar Barak Obama nas urnas.
Porém, em lugares onde antes o cristianismo predominava, hoje há um descrédito em relação à igreja. Ao mesmo tempo em que há um crescimento do movimento evangélico, em especial dos pentecostais, nos países da América do Sul, África e Ásia, o Islã tem se firmado em vários paises europeus.
A chamada “crise atual” do cristianismo passa pelos escândalos seguidos que tomaram as manchetes mundiais expondo os casos de abuso e pedofilia dentro da Igreja Católica. Ao mesmo tempo, pastores evangélicos compram horas e mais horas do horário da televisão para fazerem promessas de enriquecimento rápido.
Para a Newsweek, isso gera um enfraquecimento de grande parte dos ensinamentos milenares de Jesus, conforme relatam os Evangelhos.
Sullivan escreve “Eu não tenho idéia como o Cristianismo vai lutar com sua crise atual, suas distrações e tentações, e acima de tudo, a maneira como parece ter se enredado com as coisas deste mundo. Mas eu sei que não vai ser concentrando-se em política, em vez de oração, a preocupação excessiva a vida sexual e pensamentos heréticos dos outros… Esse tipo de cristianismo que precisamos não vem da cabeça ou do intestino, mas da alma.
É tão manso quanto libertador. Não aproveita o momento presente… não busca o reconhecimento ou sucesso mundano, e foge do poder e da riqueza. É a religião da falta de conquistas. E não é cheio de medo… este cristianismo puro, que busca a verdade, sem a expectativa de resolução imediata, que ensina a simplesmente viver a cada dia fazendo o possível para cumprir a vontade de Deus, é mais vital do que nunca.
Pode, de fato, ser a única transformação espiritual que pode, no final, transcender o vazio persistente de nosso capitalismo ou do culto contemporâneo à diversão, ou a ameaça de guerra apocalíptica na terra onde Jesus andou certa vez. Você vê as tentativas de se encontrar isso em todo lugar, desde a espiritualidade experimental até o fundamentalismo ressurgente. Algo dentro está nos dizendo que precisamos dessa mudança espiritual radical”.
È curioso que uma revista secular, acostumada a fazer reportagens sobre os males da civilização moderna pareça se preocupar com o resgate da espiritualidade cristã. Ao pedir que seus leitores “esqueçam a igreja”, ela faz uma leitura ácida de como a sociedade percebe o discurso dos cristãos, em especial o que é apresentado na mídia.

Traduzido e adaptado de The Daily Beast

Fonte: GospelPrime

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Raposas e cães








(Trecho do sermão "A Maior Luta do Mundo")




Se a trombeta der som incerto,
quem se preparará para a batalha? 1 Coríntios 14.8


Hoje em dia, temos perto de nós uma classe de homens que
falam de Cristo e até pregam o evangelho, mas depois pregam
igualmente muitas coisas que não são verdadeiras, destruindo o
bem que fizeram e induzindo os homens ao erro. Eles querem ser
considerados "evangélicos", mas, na verdade, pertencem a uma
escola antievangélica. Observem esse tipo de pessoa. Tenho ouvido
dizer que uma raposa, quando perseguida muito de perto pelos
cães, finge ser um deles e corre com eles. É isso o que alguns
estão desejando agora: que as raposas pareçam cães. Mas, no
caso da raposa, o cheiro acentuado que ela libera em breve há de
traí-la, e os cães depressa a descobrirão. Do mesmo modo, o cheiro
de falsa doutrina não é ocultado facilmente, e o jogo não continuárá
por muito tempo. Existem pregadores dos quais é difícil dizer se
são raposas ou não; no entanto, todos os homens devem saber
aquilo que somos enquanto vivermos. Eles não devem ter dúvidas
quanto àquilo em que acreditamos e ensinamos. Não hesitaremos
em proferir as palavras mais severas que pudermos encontrar em
nossa língua, nem vacilaremos em utilizar as frases mais simples
que pudermos construir, para anunciar aquilo que consideramos a
verdade fundamental.


C. H. Spurgeon






terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Amor Bíblico


Por Vincent Cheung


Sempre agradecemos a Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, quando oramos por vocês, pois
temos ouvido falar da fé que vocês têm em Cristo Jesus e do amor que têm por todos os santos,
por causa da esperança que lhes está reservada nos céus, a respeito da qual vocês ouviram por
meio da palavra da verdade, o evangelho que chegou até vocês. Por todo o mundo este evangelho
vai frutificando e crescendo, como também ocorre entre vocês, desde o dia em que o ouviram e
entenderam a graça de Deus em toda a sua verdade. Vocês o aprenderam de Epafras, nosso amado
cooperador, fiel ministro de Cristo para conosco, que também nos falou do amor que vocês têm
no Espírito. (Colossenses 1:3-8, NVI)
Assim como Paulo tinha em mente uma fé que é específica 2 – é “fé... em
Cristo Jesus” – ele tinha em mente um amor que também é específico – é o “amor
que têm por todos os santos”. Alguns comentaristas observam que nessa passagem fé
caracteriza nosso relacionamento “vertical” com Deus, enquanto amor caracteriza
nosso relacionamento “horizontal” com outras pessoas. Isso é verdade na
passagem em questão, mas seria um engano inferir a partir disso um amplo
princípio que force rigidamente a distinção. O motivo é que, entre outras coisas, o
amor deve caracterizar também nosso relacionamento vertical com Deus.
Embora a fé seja algumas vezes associada com um sentimento de confiança,
ela não deve ser identificada com o sentimento em si. Antes, fé é crença nas
proposições divinamente reveladas e é em si mesma independente de sentimentos
que podem oscilar. Sentir-se bem sobre uma proposição bíblica é diferente de crer
nela. Da mesma forma, embora o amor seja algumas vezes acompanhado por certas
emoções, o amor em si não é uma emoção. A idéia que o amor é uma emoção, ou
está necessária e proporcionalmente associado com certas emoções, tem causado
danos desastrosos ao desenvolvimento intelectual e ético de inúmeros crentes.
A Bíblia fala de amor como a disposição de pensar e agir para com outras
pessoas (incluindo Deus) de acordo com os preceitos e leis divinas – isto é, tratá-las
como Deus nos manda tratá-las. Esse amor não tem nenhuma conexão direta e
necessária com alguma emoção, a qual, sem qualquer conotação negativa inerente,
definimos como um tipo de distúrbio mental. Esse distúrbio pode ser positivo ou
negativo, mas é um distúrbio.
Como Paulo escreve em Romanos 13, “Todos [mandamentos] se resumem
neste preceito: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. O amor não pratica o mal
contra o próximo. Portanto, o amor é o cumprimento da Lei” (v. 9-10). Note que o
amor é o cumprimento e não a substituição da lei. Não tratamos as pessoas com amor
ao invés de tratá-las de acordo com a lei. Antes, tratá-las com amor é tratá-las de
acordo com a lei, ou mandamentos de Deus.
Ele diz que os mandamentos, tais como “Não adulterarás” e “Não matarás”
são resumidos no mandamento para amar. Um resumo não é diferente ou superior às
coisas que ele expressa. Na realidade, para entender verdadeiramente os detalhes
representados pelo resumo, devemos examinar as coisas que ele resume. Assim, o
mandamento para amar não é diferente ou superior aos outros mandamentos –
amor é definido por esses mandamentos em primeiro lugar.
A Escritura define nosso amor para com Deus da mesma forma. Jesus diz
aos seus discípulos em João 14:23, “Se alguém me ama, obedecerá à minha palavra”
– não que ele sentirá de certa forma ou terá certa emoção. Se ele ama, obedece.
Então, ele diz: “O meu mandamento é este: Amem-se uns aos outros como eu os
amei. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida pelos seus
amigos” (15-12-13). Não há nenhuma emoção aqui. O mandamento é amar, e esse
amor significa ação heróica e sacrificial em benefício de outros.
Muitas pessoas que se sentem totalmente perturbadas por dentro diante do
mais leve sofrimento nos outros, nunca sacrificariam sequer o seu conforto pessoal
para resgatá-las, para não dizer salvar a vida. Mas elas têm sido ensinadas – pela
cultura, tradição, filosofias anti-cristãs, mas não pela Escritura – que isso representa
compaixão. Eles gemem e choram por eles – isso não é amor? Embora possa
permitir que se sintam muito compassivos e espirituais, isso não tem nada a ver
com amor.
Em seus momentos mais sóbrios, teólogos e comentaristas admitem que o
amor bíblico tem a ver com pensar e agir de acordo com os mandamentos de Deus
para com outras pessoas, e que tal amor não tem nada a ver com um tipo particular
de distúrbio mental, ou emoção. A Escritura é clara sobre isso; não é algo difícil de
reconhecer. Como um comentarista escreve: “A Bíblia fala do amor como uma
ação e atitude, não apenas uma emoção... os cristãos não têm desculpa por não
amar, pois o amor cristão é uma decisão de agir no melhor interesse dos outros”.
Definir amor como uma emoção deixa alguém com uma desculpa, visto que
nossos sentimentos podem oscilar. Além do mais, tal definição gera culpa
desnecessária na pessoa que nem sempre sente o que pensa que deveria sentir para
com as pessoas. E se amor é uma emoção, então que emoção exatamente? Isto é, o
que se deve sentir? Mas de acordo com a Bíblia, se uma pessoa trata outras pessoas
consistentemente de acordo com os mandamentos de Deus, a despeito de como se
sente, então ela anda em amor. Por outro lado, a pessoa que não faz nada mais que
desmoronar num descontrole emocional a qualquer sinal de sofrimento humano,
não anda em amor. Ela é um aborrecimento sem amor, e poderia muito bem parar
de fingir.



Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto
Monergismo

Fonte: http://www.vincentcheung.com/

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Por Quem Cristo Morreu?


O Pai impôs sua ira devida a, e o Filho suportou a punição por:


Todos os pecados de todos os homens,
Todos os pecados de alguns homens ou
Alguns dos pecados de todos os homens.


Neste caso, podemos dizer:


Que, se o último caso é verdadeiro, todos os homens têm alguns dos pecados pelos quais tem de responder, e, portanto, ninguém é salvo.


Que, se o segundo caso é verdadeiro, então Cristo, sofreu em lugar deles por todos os pecados de todos os eleitos no mundo. E isto é a verdade.


Mas, se o primeiro caso é verdadeiro, por que todos os homens não são livres da punição devida aos seus pecados?


Você responde: “Por causa de incredulidade”.


Eu pergunto: esta incredulidade é pecado ou não? Se é, então Cristo sofreu a punição devida a ela, ou ele não sofreu. Se ele sofreu, por que isso tem de impedi-los, mais do que quaisquer outros pecados pelos quais Cristo morreu? Se Cristo não sofreu tal punição, ele não morreu por todos os pecados deles!


Este é um trecho da obra de John Owen “A Morte da Morte na Morte de Cristo”, Livro 1, Capítulo 3.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

O custo do discipulado


Já tivemos a oportunidade de considerar o interesse de Marcos nas dificuldades
e desafios do discipulado, bem como sua simpatia ante as fraquezas dos
primeiros apóstolos. Esta simpatia, porém, não o leva a diminuir a exigência
imposta aos discípulos de Jesus. Isto pode ter sido uma tentação para ele,
naqueles dias iniciais quando ele fugiu da Panfília e voltou a Jerusalém. A fé
cristã exige realmente tal sacrifício?
Mas, ao tempo em que escreveu seu Evangelho, Marcos teve de enfrentar e
superar seu medo; e, talvez como resultado de sua batalha, ele apresenta mais
agudamente do que outros evangelistas o alto custo requerido dos seguidores
de Jesus:
"Então, convocando a multidão e juntamente os seus discípulos, disse-lhes:
'Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me.
Quem quiser, pois, salvar a sua vida, perdê-la-á; e quem perder a vida por
causa de mim e do evangelho, salvá-la-á'" (8.34,35).
Jesus faz esta convocação logo depois de anunciar sua própria morte pela
primeira vez. Seus discípulos devem seguir o mesmo caminho, levando sua
cruz, prontos para perder suas vidas por Ele e pelo evangelho. O título da
autobiografia de Frank Chikane, o Secretário Geral da Concílio Africano de
Igrejas, será também o lema de suas vidas: Minha Vida Não Me Pertence!
O significado desta auto-renúncia é explanado mais claramente em Marcos
30 HOMENS COM UMA MENSAGEM
10.17ss. O jovem rico é desafiado: "Vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres,
e terás um tesouro no céu; então vem, e segue-me" (10.21). Ele, porém, relutou.
Pedro afirma: "Eis que nós tudo deixamos e te seguimos" (10.28), e então ouve
a promessa de Jesus de que "ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou
irmãs, ou mãe, ou pai, ou filhos, ou campos, por amor de mim e por amor do
evangelho, que não receba, já no presente, o cêntuplo de casas, irmãos, irmãs,
mães, filhos e campos, [e] com [eles] perseguições; e no mundo por vir a vida
eterna" (10.29,30).
Os discípulos viviam numa cultura em que as raízes do lar e da família eram
muito importantes. Na verdade, os judeus acreditavam que a terra de sua família
fora dada a eles por Deus, e assim, basicamente, não deveria ser doada ou
vendida. Apesar disso, Jesus os convida a dar as costas a tudo por sua causa. É
verdade que Ele promete que eles receberão outro tanto de volta. Porém o que
eles receberão não é o mesmo que eles abandonam. Eles abandonam suas famílias
humanas, e recebem a família de Deus (3.34,35). E também sofrerão "persegui-
ções", porque estarão desafiando uma "geração adúltera e pecadora", e isto
lhes acrescenta mais do que as coisas a que renunciam.
Nem todo cristão é instado a deixar lar e família por causa de Jesus. Porém
Marcos foi. Ele teve de deixar a segurança e riqueza do lar de sua família em
Jerusalém e viajar, primeiro com Barnabé a Chipre, e depois disso não sabemos
aonde, exceto que incluía a Ásia Menor, e terminou em Roma com Pedro e
Paulo. Ele se tornou um "pescador de homens" ao lado eles, estendendo as
mãos, como seu Senhor, aos necessitados e perdidos, esquecido de si mesmo,
renunciando a todas as coisas para que possa receber muito mais. E ele também
atrai pessoas a Cristo, através de seu soberbo Evangelho, que fala tão vividamente
hoje como falou a Mateus e Lucas quando eles estavam buscando inspiração
para seu próprio trabalho.


Texto extraído do livro "Homens com uma mensagem" de John Stott, editora cristã unida. 

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Como Evitar Desequilíbrios Religiosos

Por 

Arthur W. Pink





Os nossos esforços para sermos corretos nos podem conduzir ao erro.
A operação do Espírito, no coração humano, não é inconsciente nem automática. A vontade e a inteligência humana devem ceder e cooperar com as benignas intenções de Deus. Penso que é neste ponto que muitos de nós se perdem. Ou tentamos nos tornar santos, e, então, falhamos miseravelmente; ou, então, procuramos atingir um estado de passividade espiritual, esperando que Deus aperfeiçoe nossa natureza, em santidade, como alguém que se assentasse esperando que um ovo de pintarroxo chocasse sozinho. Trabalhamos febrilmente, para conseguir o impossível, ou não trabalhamos de forma alguma. O Novo Testamento nada conhece da operação do Espírito em nós, à parte de nossa própria resposta moral favorável. Vigilância, oração, autodisciplina e aquiescência inteligente aos propósitos de Deus são indispensáveis para qualquer progresso real na santidade. Existem certas áreas de nossas vidas em que os nossos esforços para sermos corretos nos podem conduzir ao erro, a um erro tão grande que leva à própria deformação espiritual. Por exemplo:
1. Quando, em nossa determinação de nos tornarmos ousados, nos tornamos atrevidos. Coragem e mansidão são qualidades compatíveis; ambas eram encontradas em perfeitas proporções em Cristo, e ambas brilharam esplendidamente na confrontação com os seus adversários. Pedro, diante do sinédrio, e Paulo, diante do rei Ágripa, demonstraram ambas essas qualidades, ainda que noutra ocasião, quando a ousadia de Paulo temporariamente perdeu o seu amor e se tornou carnal, ele houvesse dito ao sumo sacerdote: “Deus há de ferir-te, parede branqueada”. No entanto, deve-se dar um crédito ao apóstolo, quando, ao perceber o que havia feito, desculpou-se imediatamente (At 23.1-5).
2) Quando, em nosso desejo de sermos francos, tornamo-nos rudes.Candura sem aspereza sempre se encontrou no homem Cristo Jesus. O crente que se vangloria de sempre chamar de ferro o que é de ferro, acabará chamando tudo pelo nome de ferro. Até o fogoso Pedro aprendeu que o amor não deixa escapar da boca tudo quanto sabe (1 Pe 4.8).
3) Quando, em nossos esforços para sermos vigilantes, ficamos a suspeitar de todos. Posto que há muitos adversários, somos tentados a ver inimigos onde nenhum deles existe. Por causa do conflito com o erro, tendemos a desenvolver um espírito de hostilidade para com todos quantos discordam de nós em qualquer coisa. Satanás pouco se importa se seguimos uma doutrina falsa ou se meramente nos tornamos amargos. Pois em ambos os casos ele sai vencedor.
4) Quando tentamos ser sérios e nos tornamos sombrios. Os santos sempre foram pessoas sérias, mas a melancolia é um defeito de caráter e jamais deveria ser mesclada com a piedade. A melancolia religiosa pode indicar a presença de incredulidade ou pecado, e, se deixarmos que tal melancolia prossiga por muito tempo, pode conduzir a graves perturbações mentais. A alegria é a grande terapia da mente. “Alegrai-vos sempre no Senhor” ( Fp 4.4).
5) Quando tencionamos ser conscienciosos e nos tornamos escrupulosos em demasia. Se o diabo não puder destruir a consciência, seus esforços se concentrarão na tentativa de enfermá-la. Conheço crentes que vivem em um estado de angústia permanente, temendo que venham a desagradar a Deus. Seu mundo de atos permitidos se torna mais e mais estreito, até que finalmente temem atirar-se nas atividades comuns da vida. E ainda acreditam que essa auto-tortura é uma prova de piedade.
Enquanto os filósofos religiosos buscam corrigir essa assimetria (que é comum à toda raça humana), pregando o “meio-termo áureo”, o cristianismo oferece um remédio muito mais eficaz. O cristianismo, estando de pleno acordo com todos os fatos da existência, leva em consideração este desequilíbrio moral da vida humana, e o medicamento que oferece não é uma nova filosofia, e sim uma nova vida. O ideal aspirado pelo crente não consiste em andar pelo caminho perfeito, mas em ser conformado à imagem de Cristo.

Fonte: EditoraFiel

terça-feira, 26 de julho de 2011

6 Estratégias para Lutar Contra a Lascívia


Estou pensando em homens e mulheres. Para os homens, isto é óbvio. A necessidade de lutar contra o bombardeamento de tentações visuais para nos fixarmos em imagens sexuais é urgente. Para as mulheres, isto é menos óbvio, porém tal necessidade se torna maior, se ampliamos o escopo da tentação de alimentar imagens ou fantasias de relacionamentos. Quando uso a palavra “lascívia”, estou me referindo principalmente à esfera dos pensamentos, imaginações e desejos que visualizam as coisas proibidas por Deus e freqüentemente nos levam a conduta sexual errada.
Não estou dizendo que o sexo é mau. Deus o criou e o abençoou. Deus tornou o sexo agradável e definiu um lugar para ele, a fim de proteger sua beleza e poder — ou seja, o casamento entre um homem e uma mulher. Mas o sexo tornou-se corrompido pela queda do homem no pecado. Portanto, temos de exercer restrição e fazer guerra contra aquilo que pode nos destruir. Em seguida, apresentamos algumas estratégias para lutar contra desejos errados.
EVITAR — evite, tanto quanto for possível e sensato, imagens e situações que despertam desejos impróprios. Eu disse “tanto quanto possível e sensato”, porque às vezes a exposição à tentação é inevitável. E usei os termos “desejos impróprios” porque nem todos os desejos por sexo, alimento e família são maus. Sabemos quando tais desejos são impróprios, prejudiciais e estão se tornando escravizantes. Conhecemos nossas fraquezas e o que provoca tais desejos. Evitar é uma estratégia bíblica. “Foge, outrossim, das paixões da mocidade. Segue a justiça” ( 2 Tm 2.22). “Nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências” (Rm 13.14).
NÃO — diga “não” a todo pensamento lascivo, no espaço de cinco segundos. E diga-o com a autoridade de Jesus Cristo. “Em nome de Jesus: Não!” Você não tem mais do que cinco segundos. Se passar mais do que esse tempo sem opor-se a tal pensamento, ele se alojará em sua mente com tanta força, a ponto de se tornar quase irremovível. Se tiver coragem, diga-o em voz alta. Seja resoluto e hostil. Como disse John Owen: “Mate o pecado, se não ele matará você”. Ataque-o imediatamente, com severidade. “Resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tg 4.7).
VOLTAR — volte seus pensamentos forçosamente para Cristo, como uma satisfação superior. Dizer “não” será insuficiente. Você tem de mover-se da defesa para o ataque. Combata o fogo com fogo. Ataque as promessas do pecado com as promessas de Cristo. A Bíblia chama a lascívia de “concupiscências do engano” (Ef 4.22). Tais concupiscências mentem. Prometem mais do que podem oferecer. A Bíblia as chama de “paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância” (1 Pe 1.14). Somente os tolos cedem a elas. “Num instante a segue, como o boi que vai ao matadouro” (Pv 7.22). O engano é vencido pela verdade. A ignorância é derrotada pelo conhecimento. E tem de ser uma verdade gloriosa e um conhecimento formoso. Esta é razão por que escrevi o livro Vendo e Provando a Cristo (Seeing and Proving Christ — Crossway, 2001). Preciso de breves retratos de Cristo para me manter despertado, espiritualmente, para a sublime grandeza do Senhor Jesus. Temos de encher nossa mente com as promessas e os deleites de Jesus. E volvermo-nos imediatamente para tais promessas e deleites, depois de havermos dito “não”.
MANTER — mantenha, com firmeza, a promessa e o deleite de Cristo em sua mente, até que expulsem a outra imagem. “Olhando firmemente para… Jesus” (Hb 12.2). Muitos fracassam neste ponto. Eles desistem logo. Dizem: “Tentei expulsar a fantasia, mas não deu certo”. Eu lhes pergunto: “Por quanto tempo fizeram isso?” Quanta rigidez exerceram em sua mente? Lembre: a mente é um músculo. Você pode flexioná-la com violência. Tome o reino de Deus por esforço (Mt 11.12). Seja brutal. Mantenha diante de seus olhos a promessa de Cristo. Agarre-a. Agarre-a! Não a deixe ir embora. Continue segurando-a. Por quanto tempo? Quanto for necessário. Lute! Por amor a Cristo, lute até vencer! Se uma porta automática estivesse para esmagar seu filho, você a seguraria com toda a sua força e gritaria por ajuda. E seguraria aquela porta… seguraria… seguraria… Jesus disse que muito mais está em jogo no hábito da lascívia (Mt 5.29).
APRECIAR — aprecie uma satisfação superior. Cultive as capacidades de obter prazer em Cristo. Uma das razões porque a lascívia reina em tantas pessoas é porque Cristo não lhes é muito cativante. Falhamos e somos enganados porque temos pouco deleite em Cristo. Não diga: “Esta conversa espiritual não é para mim”. Que passos você tem dado para despertar sua afeição por Cristo. Você tem lutado por encontrar gozo? Não seja fatalista. Você foi criado para valorizar a Cristo — de todo o coração — mais do que valoriza o sexo, o chocolate ou o açúcar. Se você tem pouco desejo por Cristo, os prazeres rivais triunfarão. Peça a Deus que lhe dê a satisfação que você não tem. “Sacia-nos de manhã com a tua benignidade, para que cantemos de júbilo e nos alegremos todos os nossos dias” (Sl 90.14). E olhe…olhe… e continue olhando para Aquele que é a pessoa mais magnificente do universo, até que você o veja da maneira como Ele realmente é.
MOVER – mova-se da ociosidade e de outros comportamentos vulneráveis para uma atividade útil. A lascívia cresce rapidamente no jardim da ociosidade. Encontre algo útil para realizar, com todas as suas forças. “No zelo, não sejais remissos; sede fervorosos de espírito, servindo ao Senhor” (Rm 12.11); “Sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão” (1 Co 15.58). Seja abundante em atividades. Faça alguma coisa: limpe um quarto, pregue uma tábua, escreva uma carta, conserte uma torneira. E faça tudo por amor a Jesus. Você foi criado para administrar e trabalhar. Cristo morreu para nos tornar zelosos “de boas obras” (Tt 2.14). Substitua as concupiscências e paixões enganosas por boas obras.
Pai de misericórdias, quão freqüentemente
Deixamos de lutar contra a lascívia.
Temos abraçado o inimigo que faz guerra contra a nossa alma.
Perdoa-nos, de acordo com tua promessa de ser
Tardio em ira e abundante em misericórdia.
Vem agora e dá-nos nova determinação
Novo poder e nova visão de tuas
Promessas e de teu supremo valor.
Sacia-nos de manhã com a tua benignidade
Destrói a raiz de nossa lascívia com um prazer superior.
Em nome de Jesus, oramos. Amém.
(Artigo extraído do livro Penetrado pela Palavra, de John Piper)
Fonte: BlogFiel

sábado, 23 de julho de 2011

Discernir é preciso



Nos dias atuais temos ouvido muitos ensinos, que no mínimo são ensinos
contraditórios, que acabam afetando um relacionamento verdadeiro que possamos ter
com o Senhor, dessa forma chegamos à conclusão que discernir é preciso.
Na televisão, no rádio e até nas Igrejas, presenciamos tais ensinos, não queremos
aqui tecer detalhadamente sobre eles, mas o propósito é chamar o leitor a levar para a
balança bíblica todos estes ensinos, sejam ensinados por quem quer que seja.
Precisamos aprender com os bereianos (At 17), que estavam a ouvir ninguém menos
do que Paulo um dos maiores apóstolos da Igreja primitiva. Mas não levou em conta o fato
de ser Paulo o que estava levando a mensagem, pois se preocuparam em levar para a
balança bíblica o peso de seus argumentos, para comprovar se era biblicamente
verdadeiro o que dizia o apostolo.
Nos dias hodiernos, há uma displicência e diria até um descaso dos cristãos em
relação à Palavra de Deus. Estão aderindo aos ensinos contraditórios, por conta dessa
displicência em relação á Palavra, são ensinos originados das suas mentes sem nenhuma
aprovação bíblica.
Realmente são dias difíceis em que vivemos, não quero dizer com isso que cristãos do
passado não tiveram esses dias, mas temos como testemunha a história que nos relata o
amor e apego acirrado que tinham pela Bíblia, era uma paixão sem limites por ela, houve
homens que gastaram a sua vida no estudo da Palavra vejamos o que disse Martinho
Lutero: “A minha consciência é escrava da Palavra de Deus.
Vemos que por conta da falta de discernimento prolifera-se a apostasia no meio dos
cristãos. Conforme vemos na primeira carta a Timóteo 4.1-2, era previsto que isso
ocorreria, mas isso não nos dá o direito de nos acomodarmos, pois todos podemos
incorrer neste erro.
A Igreja está sendo atacada de todas as formas por pessoas que não tem escrúpulos
para transmitir a Palavra do Senhor visam levar o povo a uma mensagem que não tem
nada a ver com o que Deus realmente quer nos transmitir dentro do texto e contexto, por
isso discernir é preciso.


O QUE SIGNIFICA DISCERNIR?


Segundo o dicionário Aurélio “discernir” é: conhecer distintamente, perceber claro por
qualquer dos sentidos e por fim discriminar. Mas conhecer distintamente se fará apenas,
quando os nossos sentidos estiverem afinados pela Palavra de Deus.
Mas uma coisa chama a nossa atenção quanto ao significado da palavra discernir,
que o dicionário Aurélio nos dá, é a palavra discriminar.
No uso moderno, a palavra discriminação carrega fortes conotações negativas. Mas a
palavra em si mesma não é negativa. Discriminar significa simplesmente “fazer uma
distinção clara”, costumava-se chamar alguém de “discriminador” quando ele exercia
julgamento perspicaz.
“Discriminação” significava uma habilidade positiva de traçar uma linha entre
verdadeiro e o falso, o certo e o errado.
No auge do movimento americano pelos direitos civis, a palavra foi usada
amplamente para se referir á intolerância racial, na verdade as pessoas que fazem
distinções injustas entre as raças são culpadas de uma forma errada de discriminação.
A própria idéia de discriminação se tornou digna de desaprovação, não devemos
traçar linhas de separação. Espera-se que não estabeleçamos diferenças, este é o espírito
desta época e infelizmente tem entrado na Igreja.
O verbo grego traduzido “discernir” no Novo Testamento é diakrinô que significa
“fazer uma distinção” e foi traduzido literalmente em Atos 15.9.
 Para tanto precisamos fazer da Palavra, verdadeiramente, a nossa regra de fé e prática, voltemos ao evangelho puro e genuíno de Cristo.


Eudmarly Sena

sexta-feira, 8 de julho de 2011

E se tudo fosse permitido...que seria?

O Povo de Deus deve ser um barco a motor que navega contra a corrente dos instintos fáceis, e não uma balsa, cheia de gente, que a corrente impetuosa arrasta para a cachoeira.

Em síntese: Giovanni Martinetti, em seu livro "Razões para crer", imagina o que seria se a Igreja modificasse suas posições frente a tendências contemporâneas ao homossexualismo, às relações extra-conjugais, ao aborto... Encontraria grande número de simpatizantes. Mas estaria traindo a lei natural, que é a lei do Criador. O homem de nossos dias respeita a natureza enquanto é regida por leis físicas, mas esquece que a natureza também é portadora de ditames morais ou normas para o reto comportamento humano.

Já em PR 408/1996, pp. 194-199, foi apresentado o livro de Giovanni Martinetti "Razões para Crer"[1]. É obra que considera os diversos obstáculos à fé católica levantados pela sociedade contemporânea. O autor sabe responder-lhes em estilo suave e incisivo. Nas páginas subseqüentes transcreveremos quanto Martinetti pondera no caso de que a Igreja "reveja" suas normas morais, justificando o homossexualismo, as relações extra-conjugais, o aborto... Ganharia grande número de novos adeptos e simpatizantes, mas trairia a lei de Deus, que se manifesta através da lei natural gravada no íntimo de todo ser humano; ver pp. 306-308 da obra citada.
A Igreja é um rebocador e não uma balsa
Bruce Marshall, em seu livro "O mundo, a carne e Padre Smith", conta que uma noite o Padre Smith teve um sonho. Havia sido eleito um novo Papa, que assumiria o insólito nome de Buster I. Em seu primeiro discurso em inglês, transmitido para todo o mundo, declarara solenemente que o amor livre, dadas as atuais circunstâncias da vida humana, não devia mais ser considerado um pecado, mas, ao contrário, era um aspecto importante da Caridade.
Os frutos não tardaram em manifestar-se. Logo no dia seguinte as igrejas católicas do mundo inteiro foram inundadas por fiéis que, junto com velhos praticantes, queriam pronunciar a sua profissão de fé e rezar pela saúde do novo Papa. Anglicanos, luteranos e ortodoxos superaram as dificuldades teológicas e passaram a integrar a Igreja Católica. Turquia, Irã, Índia, China, Japão haviam enviado delegações ao Vaticano para solicitar novos missionários; o ateísmo e a secularização desapareceram como neve no fogo, e até a União Soviética de Stálin abrira uma embaixada na Santa Sé.
O romancista escocês tinha razão. As dificuldades que as massas ocidentais encontram para ter fé, muitas vezes não vêm da cabeça, mas de outras partes. O epicentro da secularização (e às vezes também da teologia da dissensão) não está tanto nas idéias teológicas, mas sobretudo nas normas de comportamento, na fórmula do lançamento espacial para Deus. O homem de hoje não rejeita o produto, mas o preço a pagar por ele. A Igreja teria sinal verde e se encheria de fervorosos fiéis, se fechasse os olhos para as 'ninharias da moral' e abrisse espaço para a 'liberdade de consciência'.
Por que, pergunta o homem comum, obstinar-se em manter uma concepção tão anacrônica, medieval e puritana do sexo, que afasta dos sacramentos e da própria fé milhões de pessoas, quando o clero demonstra ser tão informado e moderno em todos os outros aspectos da vida humana?
O Cardeal Joseph Ratzinger, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, em 2 de maio de 1989, apresentou importante relatório no Encontro dos Presidentes das Comissões Doutrinais dos Bispos Europeus em Laxenburg (Viena). Nele, acentuava que há na mentalidade consumista, e em certos teólogos que a compartilham, uma espécie de contestação da práxis e da fé da Igreja, contestação que compreende, sobretudo e em primeiro lugar, o "Não" ao seu ensinamento sobre a contracepção, o aborto, o divórcio, a manipulação genética, o homossexualismo, o adultério e as relações sexuais antes do casamento.
Todos esses temas 'dependem de uma visão comum do homem e de uma idéia da liberdade humana que opera nela'... 'Hoje, finalmente nós descobrimos o direito e a liberdade da nossa consciência e, portanto, não estamos mais dispostos a subordiná-la a um conjunto de normas impostas de fora'. Ou seja, de Deus.
A razão de semelhante posição, mesmo entre muitos teólogos, está no desaparecimento da doutrina da criação em sua Teologia. Se a natureza não foi criada por Deus, mas é fruto do puro acaso, é lógico que não se aceite que ela seja considerada uma instância moral. O corpo é considerado uma posse, da qual o indivíduo dispõe conforme o que lhe pareça mais útil para a sua qualidade de vida'.
Não se vê então por que não se possa desvincular:
. da fecundidade, a relação sexual (contracepção),
. do dom da vida, a gravidez (aborto),
. do pacto sagrado de amor estável, o prazer erótico (amor livre),
. da fidelidade, o pacto sagrado (adultério, divórcio),
. da diferenciação sexual, o amor físico (homossexualismo),
. da concepção, a relação sexual (concepção em proveta),
. de filhos, a herança genética (manipulação genética).
'Quando a autonomia do homem frente a Deus é acolhida plenamente, torna-se irrelevante diferenciar homossexualidade e heterossexualidade, atos sexuais dentro ou fora do casamento'.
Hoje teme-se com razão que o homem cause danos à natureza que nos rodeia, mas os homens são incapazes de colher a mensagem espiritual que provém da natureza. Experimentamos a insurgência da criação contra o domínio arbitrário do homem, mas não queremos reconhecer os limites e as normas de nosso comportamento.
'Pode-se dizer que se tornou evidente que a natureza tem uma racionalidade matemática. Contudo, considera-se uma ficção metafísica dizer que a natureza tem também uma racionalidade moral'.
'Sua relação (do homem) com a natureza é a da manipulação e, não a da escuta...' Diante das alarmantes desordens da sociedade permissiva, nasce em muitos a silenciosa consciência da necessidade de uma alternativa. 'Esta, contudo, só poderá ser elaborada se a doutrina da criação for desenvolvida novamente'.
'Devemos tornar novamente evidente que o mundo foi criado 'com sabedoria' e que a grandeza do homem não consiste na miserável autonomia de um anão que se declara dono da natureza, mas no fato de o seu ser deixar transparecer a mais esplêndida finalidade, a ascensão para o Perfeito.'[2]
Além do mais, esquecem com facilidade que o que é impossível ao homem torna-se possível com uma boa dose de oração e de Graça.
Certamente a teoria do puro acaso e da consciência autônoma é mais confortável, mas não é salutar. Para o Magistério da Igreja, também seria mais cômodo seguir o índice de aprovação e evitar tantas deserções. Mas a Igreja e os teólogos não podem, em nome da popularidade, substituir o amargo remédio da fé por um placebo.
Para salvar o homem, dizia Chesterton, Deus quis a Igreja como uma locomotiva, e não como um vagão extraído da opinião pública. O Povo de Deus deve ser um barco a motor que navega contra a corrente dos instintos fáceis, e não uma balsa, cheia de gente, que a corrente impetuosa arrasta para a cachoeira».


Notas:
[1] Ed. Loyola, São Paulo, 1995.
[2] J. Ratzinger, L'Osservatore Romano, 1º de julho de 1989, p. 7.
Autor: d. Estêvão Bettencourt
Fonte: PR 447 - pp. 344-346

extraído do site radiocoração.org

O pensador cosmético

Por Jonas Madureira

   A subversão toma conta dos ossos, da carne, da pele, do cérebro e da língua dos pensadores que têm a inclinação para perturbar, desconstruir e transformar a ordem estabelecida. Um pensador insatisfeito com a ordem é sempre um pensador subversivo em potencial. Pois tudo o que um pensador subversivo é e faz está plenamente tomado da insatisfação com relação à suposta crença na ordem do “estado de coisas”. E é essa insatisfação que o faz ceder a irresistível tentação de mostrar o caos de todas as estruturas de pensamento, inclusive, daquelas que se dizem livres. Assim, o pensador subversivo é sempre o exato oposto do tipo “livre pensador”.

O livre pensador não é subversivo, como ele pensa que é. Na verdade, ele é um pensador cosmético. Antes que você diga: “Afinal, que absurdo é esse?”, lembre-se de que uma das acepções da palavra cosmos, em grego, é “ordem”. Para os gregos, cosmos é tudo o que ornamenta, embeleza, organiza, oculta ou esconde o caos. Daí “cosmético” ser o adjetivo mais apropriado para designar os produtos de beleza que prometem esconder o caos de rostos e de peles femininas ou masculinas. Nesse sentido, um livre pensador é um maquiador da realidade. Em contrapartida, tal como o pensador subversivo, ele também vê e sabe que o caos está aí, pois ninguém está completamente livre do caos, não é mesmo? Porém, como carece de caráter e sinceridade, o livre pensador acha melhor negar e ocultar a realidade. Que realidade? A realidade de que ele mesmo sabe que não é tão livre assim para pensar. Para livres pensadores, o condicionamento do pensamento é sempre visto como algo aprisionador e destrutivo. Por isso, o argumento que o livre pensador usa é aquele mesmo argumento que os ateus sempre recorrem quando querem opor o pensamento à religião: "dogmas aprisionam o pensamento". Não é à toa que os livres pensadores se dizem livres justamente porque não se veem presos a dogmas, certo?

Porém, não tenha dúvida, o livre pensador não é sincero nem com ele nem com seu povo. A propósito, dizem que a palavra “sincero” significa etimologicamente “sem cera”. Os que acreditam nessa etimologia argumentam que, na antiga Roma, os restauradores de esculturas inventaram uma cera que ajudava na preservação da boa aparência das esculturas desgastadas com o tempo. Um dos desgastes mais frequentes eram as rachaduras, e para escondê-las o restaurador usava uma cera que era capaz de cobrir as fissuras da escultura. Contudo, quando o sol batia era plenamente possível enxergar através das ceras as rachaduras que se tentava inutilmente ocultar. Portanto, sinceridade é a atitude de não mais tentarmos esconder o que não mais conseguimos esconder. É assim que essa etimologia explica o motivo pelo qual usamos o adjetivo “sincero” apenas para qualificar aquilo que de fato é.
Por que acuso os livres pensadores de falta de sinceridade? Simplesmente porque não existem pensamentos livres. O que de fato existe é um fluxo ininterrupto de pensamentos dos quais não temos o menor controle. Tudo o que pensamos é sempre resultado de uma série de adesões a pressupostos que somos obrigados a assumir como axiomáticos se queremos ser no mínimo verdadeiros para nós mesmos. Um livre pensador cerra o galho em que está sentado justamente porque acredita naquela historinha iluminista de que é possível analisar o mundo sem participar dele, ou seja, de que é possível e necessário o distanciamento existencial do objeto de análise. Pessoal, sempre que falamos do nosso mundo falamos de dentro dele, nunca de fora. Por isso, a pergunta certa é “Sabemos em que mundo vivemos?”. Tem uns caras que gostam de bancar de subversivos, mas não passam de pura cosmética. Eles se acham livres e subversivos só porque não acreditam em dogmas. Pobres pensadores, pois não enxergam seus próprios dogmas. Quem disse que não é dogmático o “Diga não aos dogmas!”?

O pior de tudo é que o livre pensador se acha subversivo, livre, libertador, mas na verdade ainda não se deu conta do quanto é escravo de seus pressupostos. Que contradição! Para sua infelicidade ou vexame, ele ainda não percebeu que suas opções intelectuais são como meninos carolas, fiéis em demasia aos seus vigários pressupostos. Agora, qual é o motivo da maquiagem? Por que livres pensadores escondem que têm seus dogmas? Por que têm tanto medo de colocar as cartas na mesa? Qual a razão da ocultação de suas doutrinas tão cristalizadas e tão vistas como inerrantes? Por que afirmar que são tão livres quando, na verdade, estão tão presos às estruturas dogmáticas do pensamento?

É por essas e tantas outras razões que acredito que assumir os pressupostos é uma virtude, escondê-los é malandragem.

Fonte: TeologiaBrasileira