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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Por Quem Cristo Morreu?


O Pai impôs sua ira devida a, e o Filho suportou a punição por:


Todos os pecados de todos os homens,
Todos os pecados de alguns homens ou
Alguns dos pecados de todos os homens.


Neste caso, podemos dizer:


Que, se o último caso é verdadeiro, todos os homens têm alguns dos pecados pelos quais tem de responder, e, portanto, ninguém é salvo.


Que, se o segundo caso é verdadeiro, então Cristo, sofreu em lugar deles por todos os pecados de todos os eleitos no mundo. E isto é a verdade.


Mas, se o primeiro caso é verdadeiro, por que todos os homens não são livres da punição devida aos seus pecados?


Você responde: “Por causa de incredulidade”.


Eu pergunto: esta incredulidade é pecado ou não? Se é, então Cristo sofreu a punição devida a ela, ou ele não sofreu. Se ele sofreu, por que isso tem de impedi-los, mais do que quaisquer outros pecados pelos quais Cristo morreu? Se Cristo não sofreu tal punição, ele não morreu por todos os pecados deles!


Este é um trecho da obra de John Owen “A Morte da Morte na Morte de Cristo”, Livro 1, Capítulo 3.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Só a Cruz pode definir o que é Amor


"nisto conhecemos o amor, em que Cristo deu a sua vida por nós" (3:16). A maioria das pessoas não teria dificuldade alguma em nos dizer o que pensa ser o amor. Podem saber que já se escreveram livros com o propósito de distinguir entre diferentes tipos de amor, como o Agape e Eros de Anders Nygren, e Os Quatro Amores de C. S. Lewis. Entretanto, diriam que o significado do amor se evidencia por si mesmo. João, porém, discordaria dessas pessoas. Ele ousa dizer que, sem Cristo e sua cruz, o mundo jamais teria conhecido o verdadeiro amor. É claro que todos os seres humanos experimentam certo grau ou qualidade de amor. Mas João está dizendo que apenas um ato de amor puro, não manchado por alguma nuança de segundos motivos, foi praticado na história do mundo, a saber, o amor de Deus que se deu a si mesmo em Cristo na cruz por pecadores que não o mereciam. É por isso que, se estamos procurando uma definição de amor, não devemos ir ao dicionário, mas ao Calvário.

O segundo versículo de João é ainda mais preciso. "Nisto consiste o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou, e enviou o seu Filho como propicião {Hilasmos) pelos nossos pecados" (4:10). Na passagem do capítulo 3 de Romanos que estamos estudando, Paulo toma a natureza propiciatória da cruz (hilasterion) como demonstração da justiça divina; aqui João a vê como a mani¬festação do amor dele. E ambos. O verdadeiro amor é de Deus, não nosso, e ele o manifestou entre nós (v. 9) enviando seu Filho unigênito ao mundo para que morresse por nós e pudéssemos viver por meio dele. As duas palavras "viver" (v. 9) e "propiciação" (v. 10) traem a extremidade de nossa necessidade. Por sermos pecadores, merecemos morrer sob a justa ira de Deus. Mas Deus enviou o seu único Filho, e ao enviá-lo, ele mesmo veio a fim de morrer a morte e levar a ira em nosso lugar. Foi um ato de puro e imerecido amor.

Aprendemos com João, portanto, que embora neste mundo nossa atenção seja constantemente levada para os problemas do mal e da dor, os quais parecem contradizer o amor de Deus, seria prudente não deixarmos que tais coisas nos desviem da cruz, onde o amor de Deus se manifestou pública e visivelmente. Se a cruz pode ser cha-mada de "tragédia", foi uma tragédia que ilumina todas as outras.

Paulo também escreve acerca do amor de Deus na primeira metade do capítulo 5 de Romanos. O apóstolo se refere a ele duas vezes, provendo-nos, assim, dois modos complementares de adquirirmos a certeza da sua realidade. O primeiro é que "o amor de Deus é der¬ramado em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi outor¬gado" (v. 5). O segundo é que "Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores" (v. 8). Um dos aspectos mais satisfatórios do evangelho é o modo pelo qual une o objetivo ao subjetivo, o histórico ao ex¬perimental, a obra do Filho de Deus à obra do Espírito de Deus. Podemos saber que Deus nos ama, diz Paulo, tanto porque ele provou o seu amor na história através da morte do seu Filho, como porque continuamente o derrama em nossos corações por meio da habitação do Espírito em nós. E embora nos concentremos, como faz Paulo, na demonstração objetiva do amor de Deus na cruz, não nos esquece¬remos de que o Espírito Santo confirma esse testemunho histórico por intermédio de seu próprio testemunho interior e pessoal, à medida que inunda os nossos corações com o conhecimento de que somos amados. É algo similar à nossa experiência de o Espírito Santo testificar com o nosso espírito que somos filhos de Deus — um testemunho que ele dá quando, ao orarmos, nos capacita a clamar: "Abba, Pai", porque então sabemos que somos os filhos justificados, reconciliados, redimidos e amados de Deus {Romanos 8:15-16).

Por causa da cruz, porém, "Deus prova o seu próprio amor para conosco" (Romanos 5:8). É o seu próprio amor, sui generis, pois não há outro amor como o dele. 


John Stott

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Quem me vê, vê o Pai



A Bíblia nos fala que conhecemos a Deus como o filho conhece seu pai, a esposa seu marido, o súdito seu rei e a ovelha seu pastor (estas são apenas quatro das muitas analogias usadas). Todas mostram a relação em que o conhecedor "procura" aquele que é conhecido, e este se responsabiliza pelo bem-estar daquele. Isto faz parte do conceito bíblico de conhecer a Deus; os que o conhecem — isto é, os que ele permite que o conheçam — são amados e cuidados por ele.


A Bíblia acrescenta, então, outro ponto: só podemos conhecer a Deus deste modo, mediante o conhecimento de Jesus Cristo, que é Deus manifestado na carne: "... não me conhece ...? ... Quem me vê, vê o Pai", "Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim" (Jo 14:9,6). É importante, portanto, que tenhamos bem claro na mente o que significa conhecer Jesus Cristo!

Para os discípulos que conviveram com Jesus, conhecê-lo era diretamente comparável ao conhecimento do grande homem de nossa ilustração. Os discípulos eram simples galileus, sem nenhuma razão especial de interesse por Jesus. Mas Jesus, o mestre que falou com autoridade, o profeta que era mais do que profeta, o Senhor que despertou neles crescente respeito e devoção até que o reconheceram como seu Deus, os encontrou, chamou-os a si, confiou neles e os designou como seus agentes para proclamar ao mundo o Reino de Deus. "Escolheu doze, designando-os apóstolos, para que estivessem com ele, os enviasse a pregar" (Mc 3:14). Eles reconheceram quem os havia escolhido e chamado de amigos como "o Cristo, o Filho do Deus vivo" (Mt 16:16), o homem nascido para ser rei, o portador das "palavras de vida eterna" (Jo 6:68). O senso de lealdade e privilégio que este conhecimento trouxe transformou completamente a vida deles.

Quando o Novo Testamento fala que Jesus Cristo ressuscitou, um dos significados desta declaração é que a vítima do Calvário está agora, por assim dizer, livre. Qualquer pessoa, em qualquer lugar pode desfrutar do mesmo tipo de relacionamento com ele que os discípulos tiveram durante o tempo em que viveu entre nós.

As únicas diferenças são estas: primeira, sua presença entre os cristãos não é física, mas espiritual e, portanto, invisível aos olhos físicos. Segunda, baseado no testemunho do Novo Testamento, o cristão, desde o início, sabe as verdades sobre a divindade e o sacrifício de Jesus que os primeiros discípulos foram aprendendo gradualmente no decorrer dos anos. Terceira, Jesus não fala agora conosco mediante palavras novas, mas aplica a nossa consciência suas palavras registradas nos evangelhos, junto com todo o testemunho bíblico a seu respeito.

Conhecer Jesus permanece uma relação definida de discipulado pessoal, como o foi para os doze quando ele estava na terra. O Jesus que anda pelas histórias do Evangelho também anda com os cristãos agora, e conhecê-lo significa seguir com ele, tanto agora como antes.

"As minhas ovelhas ouvem a minha voz", diz Jesus, "eu as conheço, e elas me seguem" (Jo 10:27). Sua "voz" é sua afirmação, sua promessa e seu chamado: "Eu sou o pão da vida [...] a porta das ovelhas [...] o bom pastor [...] a ressurreição" (Jo 6:35; 10:7,14; 11:25). "... Aquele que não honra o Filho, também não honra o Pai que o enviou. Eu lhes asseguro: Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna..." (Jo 5:23b, 24a). "Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim [...] e vocês encontrarão descanso..." (Mt 11:28,29).

A voz de Jesus é "ouvida" quando sua afirmação é reconhecida, quando cremos em sua promessa e respondemos a seu chamado. Desse momento em diante, Jesus passa a ser conhecido como pastor, e os que confiam nele são reconhecidos por ele como suas ovelhas. "[...] eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna, e elas jamais perecerão; ninguém as poderá arrancar da minha mão" (Jo 10:27,28). Conhecer a Jesus é ser salvo por ele do pecado, da culpa e da morte, nesta vida e na vida futura.

J. I. Packer